Petroleiros iranianos furam bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz pela primeira vez
Petroleiros iranianos furam bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz

Petroleiros iranianos desafiam bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz

Três petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, marcando a primeira vez desde o início das restrições intensificadas. As embarcações Deep Sea, Sonia I e Diona deixaram o Golfo Pérsico na quarta-feira, transportando aproximadamente cinco milhões de barris de petróleo, conforme informou a empresa de dados marítimos Kpler à agência AFP nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026.

Detalhes da travessia e contexto do bloqueio

De acordo com a Kpler, os navios partiram da Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, e atravessaram o estreito em direção ao exterior. A movimentação foi confirmada por imagens de satélite, indicando a passagem dos três petroleiros na quarta-feira. Esta é a primeira saída registrada de petroleiros iranianos com carga desde 10 de abril, quando o navio Starla deixou a região, antes da intensificação das restrições.

O bloqueio dos Estados Unidos teve início na segunda-feira, 13 de abril, após o fracasso das negociações de paz com o Irã no fim de semana anterior. O presidente Donald Trump ordenou um cerco completo à passagem, autorizando a interceptação de embarcações com origem ou destino a portos iranianos. A operação mobilizou 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros para fiscalizar uma área que engloba o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

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Reações internacionais e declarações do Irã

O regime iraniano já havia declarado que estava utilizando portos alternativos para contornar a Marinha americana e afirmou que dois de seus navios conseguiram furar a barreira e atravessar Ormuz. Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada. A decisão foi tomada após a entrada em vigor de uma trégua no Líbano, conforme comunicado pelo chanceler no X (ex-Twitter).

Enquanto isso, a Marinha dos EUA afirmou até quinta-feira que nenhum navio sob as restrições do bloqueio havia passado pelo Golfo de Omã, e que 13 haviam dado meia-volta em meio às ameaças de ataque. A tensão na rota vital para o petróleo mundial segue alta, com o estreito sendo crucial para cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.

Mobilização global e impactos econômicos

Também nesta sexta-feira, os líderes da França e do Reino Unido presidirão uma reunião com cerca de 40 países, sem a participação dos Estados Unidos, para discutir esforços visando a reabertura do Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou em Paris que "faria tudo o que pudesse" para aliviar o impacto econômico da guerra no Irã e destravar a nevrálgica passagem.

Starmer acusou o Irã de "manter a economia mundial como refém" ao bloquear a navegação na região, enfatizando que a reabertura incondicional e imediata do estreito é uma responsabilidade global. O bloqueio americano visa pressionar o setor de petróleo iraniano, pilar de sua economia e responsável por 10% a 15% do PIB, além de encerrar os pagamentos do chamado "pedágio de Teerã".

O Estreito de Ormuz foi efetivamente fechado pelo Irã no início da guerra como retaliação aos ataques dos Estados Unidos e Israel, reduzindo o fluxo de navios de 130 para seis por dia. A passagem deveria ser aberta mediante uma trégua acordada em 8 de abril, mas permaneceu trancada devido a desacordos sobre os termos, incluindo a continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano.

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