Mojtaba Khamenei assume como novo líder supremo do Irã após morte do pai em ataques
Mojtaba Khamenei é o novo líder supremo do Irã após ataques

Mojtaba Khamenei assume como novo líder supremo do Irã após morte do pai em ataques

O Irã iniciou um novo capítulo em sua história política com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. Ele sucede seu pai, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), que faleceu durante os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, ocorridos no sábado, 28 de fevereiro. A transição de poder marca um momento crucial para a nação que vive sob um regime teocrático há mais de quatro décadas.

O poder absoluto do líder supremo

Mojtaba Khamenei assume o controle de uma nação onde a religião determina não apenas a política, mas praticamente todos os aspectos da vida dos cidadãos. Como líder supremo, ele terá poder quase ilimitado, atuando como:

  • Comandante-chefe das Forças Armadas
  • Autoridade máxima política e religiosa
  • Responsável por nomeações militares de alto escalão
  • Indicador do chefe do Poder Judiciário
  • Diretor da rádio e TV estatal

"É como ter outro rei, mas um rei religioso", define o jornalista Siavash Ardalan, da BBC News Persa, sobre a singularidade desta figura no cenário político mundial.

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A estrutura teocrática iraniana

A teocracia iraniana é sustentada por uma complexa estrutura institucional que garante a perpetuação do regime:

  1. Conselho de Guardiães: Revisa toda legislação parlamentar e atua como filtro em processos eleitorais
  2. Assembleia de Peritos: Composta por 88 clérigos eleitos, responsável por escolher e supervisionar o líder supremo
  3. Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI): Exército paralelo criado para defender a Revolução de 1979

Esta estrutura foi fundamental para que o regime sobrevivesse a diversas crises internas, incluindo os protestos em massa que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini em 2022, quando ela foi detida pela polícia da moralidade por não cumprir as regras do hijab.

Origens históricas da teocracia

O regime teocrático dos aiatolás surgiu na Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi. Embora originalmente a revolução não fosse apenas religiosa, a consolidação da liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini foi decisiva para a instalação da teocracia.

Khomeini promoveu uma reinterpretação radical do conceito de velayat-e faqih (tutela do jurista islâmico), rompendo com a tradição xiita que mantinha clérigos relativamente separados das estruturas governamentais. Após a queda da monarquia, os iranianos aprovaram por referendo a criação da República Islâmica baseada nesta interpretação.

Fatores que fortaleceram o regime

Vários elementos contribuíram para a consolidação e permanência do regime teocrático:

  • Supremacia constitucional: A Constituição outorgou amplos poderes formais ao líder supremo
  • Guerra Irã-Iraque: O conflito com Saddam Hussein (1980-1988) foi utilizado para consolidar o regime sob a narrativa de "defesa sagrada"
  • Expansão institucional: Durante o mandato de Ali Khamenei, o escritório do líder supremo se expandiu exponencialmente
  • Eliminação da oposição: O regime marginalizou sistematicamente todos os grupos de oposição

Desafios e perspectivas futuras

Especialistas destacam que a estrutura institucional fortalecida ao longo de décadas não é o único fator que explica a resistência do regime. Atualmente, não existe uma alternativa clara para sua substituição, pois a oposição - especialmente a que opera fora do Irã - não produziu uma figura ou movimento capaz de reunir amplo apoio popular dentro do país.

A única figura proeminente que surgiu é o príncipe Reza Pahlavi, filho do antigo xá, que ganhou visibilidade principalmente entre a diáspora iraniana. No entanto, ainda não está claro se ele poderia aglutinar apoio suficiente para desafiar o regime estabelecido.

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O início do conflito atual se deu há pouco mais de dez dias, e os especialistas concordam que ainda é muito cedo para concluir se o sistema poderá manter seu atual equilíbrio a longo prazo. A guerra em curso será decisiva para determinar o futuro da teocracia iraniana sob a liderança de Mojtaba Khamenei.