Belo Horizonte lidera inadimplência no Brasil com 65% das famílias em atraso
BH lidera inadimplência: 65% das famílias em atraso

Belo Horizonte lidera ranking de inadimplência entre as capitais brasileiras

Seis em cada dez famílias de Belo Horizonte iniciaram 2026 com contas em atraso, de acordo com levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A capital mineira registrou índice de inadimplência de 65%, o maior entre todas as capitais brasileiras analisadas pela entidade.

O percentual coloca Belo Horizonte bem à frente de Manaus, segunda colocada no ranking, com 49% das famílias inadimplentes. Em seguida aparecem Fortaleza, com 48%, Goiânia e Distrito Federal, ambos com 42%.

Radiografia do Endividamento 2026

O estudo Radiografia do Endividamento de 2026 revela que a situação financeira das famílias da capital mineira vem se deteriorando de forma contínua nos últimos anos. Em 2023, o percentual de famílias inadimplentes era de 50%. Um ano depois, passou para 55% e, agora, avançou mais 10 pontos percentuais em apenas doze meses.

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Na média nacional, 29% das famílias das capitais brasileiras começaram o ano com ao menos uma dívida em atraso. Embora o percentual tenha permanecido relativamente estável em relação ao levantamento anterior, a FecomercioSP avalia que algumas cidades já vivem um quadro considerado grave, especialmente devido à crescente dependência do crédito no orçamento doméstico.

Avanço do endividamento no país

A pesquisa também aponta avanço do endividamento no Brasil. O percentual de famílias com algum tipo de dívida subiu de 76% em 2024 para 80% em 2025. Segundo a entidade, o país ganhou cerca de 1 milhão de novas famílias endividadas no período, passando de 11,98 milhões para 12,96 milhões de lares nessa condição.

Fortaleza, Vitória, Belo Horizonte e Rio de Janeiro aparecem entre as capitais mais pressionadas pelo endividamento. Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente de famílias endividadas do país, com 2,87 milhões de lares nessa situação, seguida pelo Rio de Janeiro, com 2,09 milhões, e pelo Distrito Federal, com 779,7 mil.

Capitais com menor inadimplência

Na outra ponta do ranking, João Pessoa registrou a menor taxa de inadimplência do Brasil, com 12% das famílias em atraso. Curitiba aparece em seguida, com 14%, enquanto Belém e Cuiabá registraram 16%. São Paulo teve índice de 20%.

Apesar de seguir como a capital menos inadimplente do país, João Pessoa também apresentou a maior alta proporcional do indicador nos últimos dois anos. A taxa saltou de 5% em 2023 para 12% em 2025, crescimento de 151%, segundo a FecomercioSP. Goiânia e Florianópolis também registraram altas relevantes no período.

No sentido oposto, Boa Vista apresentou redução de 26% no número de inadimplentes, enquanto Porto Alegre registrou queda de 22%, de acordo com o levantamento.

Causas e perspectivas

Na avaliação da entidade, o avanço simultâneo do endividamento e da inadimplência ocorre em um ambiente de juros elevados, inflação persistente e pressão crescente sobre a renda das famílias. A FecomercioSP também afirma que a expansão do crédito tem ocupado espaço cada vez mais central no orçamento doméstico, aumentando o risco de deterioração financeira nos próximos anos.

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