Encontro bilateral fortalece aliança contra o Irã e expõe divergências com aliados europeus
Em uma reunião bilateral realizada na manhã desta terça-feira (3) na Casa Branca, o premiê alemão Friedrich Merz e o ex-presidente americano Donald Trump demonstraram união no objetivo de "afastar esse regime terrível do Irã". Este foi o terceiro encontro entre os dois líderes, marcado por declarações firmes sobre o conflito no Oriente Médio e críticas a antigas políticas alemãs.
Alinhamento estratégico e críticas ao regime iraniano
Merz, ao lado de Trump, afirmou que ambos discutiriam "o dia seguinte, se o [atual regime] cair", referindo-se a um possível cenário pós-guerra no Irã. O premiê alemão destacou que a alta do petróleo, impulsionada pelo início do conflito, está prejudicando a economia global, sendo um dos motivos para buscar um fim rápido das hostilidades. "Esperamos que o exército americano e israelense estejam fazendo a coisa certa para levar esta guerra a um fim e ter um novo governo que leve liberdade e paz", declarou Merz.
A fala ocorre em meio às alegações do governo Trump de que cumpriu sua parte e que agora cabe aos iranianos assumirem o controle do país. Trump complementou, afirmando que os iranianos que os EUA consideravam para liderar no pós-guerra estão mortos. O republicano ainda elogiou Merz, dizendo: "Ele tem nos ajudado e sido muito legal, na verdade. Por isso, é uma grande honra ter você aqui".
Análise militar e diferenças com a era Merkel
Trump detalhou a situação militar, afirmando que o Irã "não têm marinha, pois foi destruída. Não tem forças aéreas, pois foram derrubadas. Não tem detectores aéreos e nem radares. Tudo tem sido derrubado. Estamos indo muito bem". Sobre o papel da Alemanha, ele mencionou que o país autoriza tropas americanas a "aterrisar em algumas áreas, o que tem deixado as coisas mais confortáveis", mas sem exigir presença física de tropas alemãs no solo.
O ex-presidente aproveitou para contrastar Merz com a ex-primeira-ministra Angela Merkel, criticando-a duramente: "Eu disse a ela que estava destruindo o país com os imigrantes e a energia. Agora, temos um homem sentado ao meu lado que é o oposto dela em imigração e em relação a energia".
Posicionamento prévio de Merz e outros temas da agenda
Antes de viajar para Washington, Merz já havia defendido os ataques ao Irã e expressado apoio aos EUA e Israel. No domingo (1º), ele afirmou a jornalistas: "Agora não é o momento de dar lições aos nossos parceiros e aliados. Apesar de todas as dúvidas, compartilhamos muitos dos seus objetivos". O premiê condenou o regime iraniano, chamando-o de "regime terrorista" e responsabilizando-o pela opressão do povo iraniano.
Além do conflito no Irã, Merz mencionou a necessidade de discutir com Trump questões tarifárias impostas à Alemanha e a guerra na Ucrânia. "Tem muitos caras do mal neste mundo, na verdade, e isso é um problema que temos que discutir. Todos nós queremos ver essa guerra sendo encerrada o quanto antes, mas a Ucrânia precisa preservar o seu território", disse ele no Salão Oval.
Trump ataca Reino Unido e Espanha
Durante o evento, Trump também criticou a postura do Reino Unido e da Espanha. Irritado com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que permitiu o uso de bases militares mas recusou participação em ações ofensivas, Trump declarou: "Levamos três, quatro dias para resolver onde poderíamos pousar ali. Teria sido muito mais conveniente aterrissar lá [nas bases britânicas], em vez de voar muitas horas extras. Então, estamos muito surpresos. Não estamos lidando com Winston Churchill".
Em relação à Espanha, que negou acesso a suas bases aéreas para ações fora de tratados ou da Carta da ONU, Trump foi mais contundente: "A Espanha tem sido terrível", afirmando que vai "cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos nada com a Espanha".
Após o encontro no Salão Oval, Trump e Merz seguiram para um almoço conjunto na Casa Branca, encerrando uma reunião que reforçou alianças, expôs fissuras com outros aliados europeus e delineou estratégias comuns frente ao conflito iraniano.
