Meloni pede mais tempo para avaliar entrada da Itália no Conselho de Paz de Trump
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou que o governo italiano necessitará de um período adicional para analisar se o país irá integrar o polêmico Conselho de Paz idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Este conselho teria como objetivo principal supervisionar a gestão e a reconstrução da Faixa de Gaza, embora sua atuação não se limitasse a essa região e pudesse estender-se a outras áreas de conflito no mundo.
Questões constitucionais e abertura cautelosa
Em entrevista à emissora Rai, Meloni explicou que, apesar de a Itália estar aberta e interessada na proposta, existem obstáculos significativos relacionados à compatibilidade com a Constituição italiana. Para nós, existe uma questão de compatibilidade constitucional, pois a leitura do estatuto revelou alguns elementos incompatíveis com a nossa Constituição, afirmou a premiê, referindo-se ao artigo 11. Ela destacou que isso impede a assinatura imediata do acordo, mas enfatizou a necessidade de mais tempo para negociações e ajustes.
Meloni listou dois motivos principais para manter a abertura ao projeto de Trump:
- A Itália pode desempenhar um papel único na implementação de um plano de paz para o Oriente Médio e na construção da visão de dois Estados.
- Não seria inteligente para a Itália e a Europa se excluírem de um órgão que apresenta interesse estratégico.
Contexto internacional e reações
Enquanto a Itália avalia sua participação, outros países europeus, como França, Dinamarca, Noruega e Suécia, já anunciaram que não farão parte do Conselho de Paz. Por outro lado, a Casa Branca informou que cerca de 35 nações aceitaram o convite, incluindo aliados próximos de Trump, como Argentina, Israel e Hungria, embora uma lista oficial ainda não tenha sido divulgada.
A falta de clareza sobre os objetivos do conselho e a ampla gama de convidados levantou preocupações de que Trump estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela, dado seu histórico de críticas às Nações Unidas. No entanto, Meloni ressaltou que não acredita que o órgão proposto possa substituir a ONU, que descreveu como muito consolidada no cenário global.
Outros temas abordados por Meloni
Durante a entrevista, a primeira-ministra também comentou sobre declarações recentes de Trump relacionadas à Groenlândia. Ela afirmou não se surpreender com as falas do republicano e destacou que uma eventual invasão militar dos EUA à ilha ártica sempre lhe pareceu extremamente irrealista. Meloni defendeu que a questão deve ser tratada no âmbito da aliança atlântica, especificamente pela Otan, considerando a crescente importância estratégica do Ártico.
Além disso, Meloni abordou as tensões entre Washington e a União Europeia, atribuindo parte dos conflitos a uma falta de comunicação que precisa ser restabelecida rapidamente. Ela enfatizou a importância do diálogo contínuo para resolver divergências e fortalecer a cooperação internacional.
Em resumo, a posição de Meloni reflete um equilíbrio entre cautela constitucional e interesse estratégico, com a Itália buscando mais tempo para uma decisão informada sobre o Conselho de Paz de Trump, enquanto mantém aberturas para um papel ativo na política global.