Maranhenses enfrentam tensão em Israel durante ataques ao Irã e se abrigam em bunker
A maranhense Raphaela Duailibe, cirurgiã-dentista, vivenciou momentos de intensa apreensão durante uma viagem religiosa a Israel, no contexto dos ataques realizados pelo país e pelos Estados Unidos contra o Irã na manhã de sábado, 28 de abril. A profissional relatou que chegou a se abrigar em um bunker devido ao risco iminente de ataques e, posteriormente, precisou antecipar a saída de Israel por medidas de segurança, em uma jornada repleta de desafios e alertas constantes.
Alarme soa e grupo busca refúgio em estrutura de proteção
Raphaela, acompanhada do marido e de um grupo com aproximadamente oito maranhenses, estava há alguns dias em Israel para uma peregrinação religiosa quando foram surpreendidos pelo clima de tensão que se instalou na região. Um dia antes dos primeiros ataques ao Irã, a agência responsável pelo roteiro da viagem apresentou os procedimentos de segurança a serem adotados em caso de risco, incluindo a recomendação expressa de se dirigir a um bunker caso os ataques fossem deflagrados.
No sábado, enquanto o grupo se preparava para visitar Jerusalém, o alarme de segurança do hotel soou, indicando a necessidade imediata de buscar abrigo no bunker. Eles permaneceram no local por cerca de 15 minutos, em um ambiente de oração e louvor. "Não cheguei a entrar em desespero, mas foi tudo muito tenso, porque acredito em Deus e sei que Ele estava nos protegendo, mas pensei muito nos meus filhos. Ficamos ali orando e louvando até segunda ordem", contou Raphaela ao descrever a experiência.
Saída apressada de Israel com travessia terrestre até o Egito
Após o alarme, a agência de viagens recomendou antecipar a saída de Israel diante do risco crescente de restrições no espaço aéreo e possível fechamento de fronteiras. A estratégia adotada foi seguir por via terrestre até a fronteira com o Egito, garantindo que o grupo conseguisse deixar a região com segurança e manter o retorno ao Brasil por rotas alternativas.
A viagem foi realizada em uma van e durou aproximadamente seis horas, durante as quais o grupo enfrentou uma série de obstáculos. Eles recebiam alertas constantes em seus celulares, ouviam sirenes e, em vários momentos, precisaram descer do veículo e aguardar por questões de segurança antes de prosseguir. "Foi tenso porque toda hora chegava alerta no celular, tocavam sirenes, e a gente precisava parar a van, descer e aguardar cerca de dez minutos para seguir viagem", relatou Raphaela.
Além disso, a presença de caças e militares era constante ao longo do trajeto, intensificando a sensação de perigo. Pouco tempo depois da travessia bem-sucedida, a fronteira entre Israel e Egito foi efetivamente fechada, o que destacou a urgência da decisão tomada pelo grupo.
Contexto dos ataques e retaliações na região
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã daquele sábado, resultando em 201 mortos e 747 feridos, conforme informações da imprensa iraniana com base na rede humanitária Crescente Vermelho. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas, incluindo Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio, embora o governo dos Estados Unidos tenha afirmado que os danos foram "mínimos" e nenhum militar americano ficou ferido. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança, conforme divulgado pela agência estatal iraniana Tasnim.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano, prometendo que "milhares de alvos" seriam atacados nos próximos dias. A retaliação iraniana também causou impactos em outros países da região, com explosões ouvidas em Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
Retorno seguro ao Brasil após percalços
Apesar do susto e das adversidades enfrentadas, o grupo de maranhenses conseguiu passar uma noite no Egito e, posteriormente, seguiu viagem com segurança até a Turquia. De lá, embarcaram para Roma e agora aguardam o retorno ao Brasil, previsto para ocorrer na quarta-feira, 4 de maio. "Graças a Deus a gente saiu logo, porque bem depois, fecharam a fronteira de Israel com o Egito. Muitos brasileiros não conseguiram sair e graças a nossa guia, pela experiência deles, eles agilizaram tudo e saímos em segurança", afirmou Raphaela, destacando a importância da orientação experiente durante a crise.
A experiência vivida pelos maranhenses ilustra os riscos e as incertezas que turistas e peregrinos podem enfrentar em regiões de conflito, mesmo em viagens planejadas com antecedência. A rápida resposta às recomendações de segurança e a adaptação às circunstâncias em constante mudança foram cruciais para garantir sua integridade física e emocional durante esse episódio turbulento.
