Presidente brasileiro rebate declarações de ex-presidente dos EUA e defende nova ordem mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por suas constantes ameaças de guerra a outros países, afirmando que o líder norte-americano não foi eleito "imperador do mundo". As declarações foram dadas em entrevista exclusiva à revista alemã Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira (16), mesmo dia em que Lula embarcou para uma viagem diplomática pela Europa.
Críticas diretas à política externa norte-americana
"Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo", afirmou o presidente brasileiro durante a conversa com jornalistas internacionais. "Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha", completou Lula, demonstrando preocupação com a escalada de tensões geopolíticas.
Esta não é a primeira vez que o mandatário brasileiro se pronuncia contra as políticas de Trump. Em julho de 2025, Lula já havia feito críticas semelhantes ao "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, ocasião em que a Casa Branca rebateu afirmando que o ex-presidente norte-americano não estava tentando ser "imperador do mundo".
Defesa de reformas profundas nas Nações Unidas
Durante a entrevista, Lula revelou que pediu aos líderes da China, Rússia e França que convoquem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o conflito envolvendo o Irã, mas não obteve resposta. "É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão", comparou o presidente, ilustrando sua visão sobre a atual governança global.
O mandatário brasileiro foi enfático ao defender mudanças estruturais na composição do Conselho de Segurança: "A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?"
Lula questionou a contradição de países que possuem armas nucleares e travam guerras simultaneamente ocuparem posições permanentes no órgão. Ele citou intervenções francesas e britânicas na Líbia, a invasão norte-americana ao Iraque, o ataque russo à Ucrânia e a destruição de Gaza por Israel como exemplos desta dinâmica problemática.
Posicionamento sobre Cuba e preparativos eleitorais
Sobre as relações com Cuba, Lula afirmou que o Brasil não enviou petróleo ou derivados ao país caribenho para evitar possíveis impactos negativos sobre a Petrobras, que tem ações negociadas na bolsa de Nova York. No entanto, destacou que pode enviar "medicamentos e alimentos" e que é preciso "ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo".
Questionado sobre sua possível candidatura à reeleição em outubro, o presidente não confirmou oficialmente, mas disse que a decisão dependerá da convenção do PT e que está se "preparando" para a possibilidade. "Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até os 120 anos", declarou com bom humor.
Sobre a disputa com Flávio Bolsonaro, que apareceu empatado nas pesquisas Datafolha e Quaest, Lula afirmou que respeitará as urnas caso seja derrotado, mas expressou confiança na vitória: "O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, venceremos esta eleição e garantiremos que nossa democracia se torne ainda mais sólida".
Viagem diplomática pela Europa
A entrevista foi publicada na véspera da viagem de Lula ao continente europeu, onde entre os dias 17 e 21 de abril visitará Espanha, Alemanha e Portugal. No domingo (19), o presidente participará ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz da abertura da Feira de Hannover, evento internacional de tecnologia industrial que terá o Brasil como país-parceiro neste ano.
Lula também comentou uma declaração feita por Merz após visitar Belém durante a COP30, em novembro do ano passado, quando o líder alemão disse estar "feliz" em retornar à Alemanha - afirmação que gerou desconforto entre autoridades brasileiras. O presidente brasileiro respondeu com leveza, contando que "quando viajo para a Alemanha, gosto de comer salsicha nas barraquinhas de rua" e que sempre procura experimentar as comidas locais quando está no exterior.



