Lula intensifica críticas a Trump e defende reforma das Nações Unidas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou significativamente o tom da política externa brasileira em uma entrevista franca concedida ao jornal espanhol El País nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026. Durante a conversa, Lula disparou críticas ácidas contra os Estados Unidos e seu presidente Donald Trump, atacando especificamente a atuação militar americana na América Latina e no Oriente Médio.
Críticas à falta de maturidade e ao unilateralismo
O mandatário brasileiro sugeriu claramente que falta maturidade ao presidente dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que rechaçou firmemente as ações unilaterais e a falta de respeito à soberania de outras nações. “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com muita maturidade”, afirmou Lula, dando a entender que Trump estaria agindo de maneira infantil em suas decisões políticas.
Lula relatou ter tido paciência diante de imposições de tarifas por parte dos Estados Unidos, mas deixou claro sua preferência por um diálogo baseado no respeito mútuo. “Eu prefiro ser um líder respeitado, não temido. Ninguém tem o direito de incutir medo”, declarou o presidente brasileiro, em referência direta às táticas de ameaça empregadas por Trump.
Defesa da reforma das instituições internacionais
Ao discutir a necessidade urgente de reformar as Nações Unidas, uma demanda histórica da diplomacia brasileira que se intensificou nos últimos anos, Lula mencionou que a falta de credibilidade do órgão acaba validando as críticas feitas por Trump. “Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para lhe dar credibilidade porque, se não, Trump tem razão. As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas”, argumentou o petista.
O presidente brasileiro defendeu que as instituições multilaterais precisam recuperar sua legitimidade para evitar que ações unilaterais de potências mundiais prevaleçam sobre o diálogo diplomático e o respeito à soberania nacional.
Limites do poder e respeito à soberania
Lula criticou duramente a postura de ameaça a outras nações que o ocupante do Salão Oval turbinou desde o início de seu segundo mandato, defendendo que o cargo de chefe de Estado exige responsabilidade com a paz mundial. “Porque Trump não tem o direito de se levantar pela manhã e ameaçar um país. Não foi eleito para isso e a sua Constituição não lhe permite”, declarou com veemência o presidente brasileiro.
Sobre a guerra no Irã, Lula afirmou que Trump atacou o país sem antecipar as consequências econômicas globais, sustentando que chefes de Estado precisam respeitar a soberania de outras nações. “Ele está jogando um jogo muito errado. Parte da premissa de que o poder econômico, militar e tecnológico americano dita as regras do jogo. Mas isso não pode estar certo, porque, no fim das contas, acaba criando problemas para os Estados Unidos”, disparou Lula.
Fórum Democracia Sempre não será anti-Trump
Questionado se a cúpula Espanha-Brasil com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, para a qual Lula viaja na sexta-feira, seria uma alternativa ao unilateralismo do chefe do Executivo americano, o petista negou que o seu foco fosse um ataque pessoal. “Não vai ser uma reunião anti-Trump. Vamos discutir a democracia: ver onde falhou e o que é preciso fazer para repará-la. Temos a obrigação de demonstrar à humanidade que a democracia é melhor do que o autoritarismo”, esclareceu o presidente brasileiro.
A entrevista ao El País marca um momento significativo na política externa brasileira, com Lula posicionando claramente o Brasil como defensor do multilateralismo, do diálogo diplomático maduro e do respeito à soberania das nações, em contraste direto com a postura adotada pela administração Trump.



