O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou as páginas do prestigiado jornal norte-americano The New York Times para emitir uma crítica contundente à recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em artigo publicado no domingo, 18 de janeiro de 2026, o mandatário brasileiro classificou como "lamentáveis" os ataques que resultaram na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Uma Defesa Firme da Soberania e da Ordem Multilateral
No texto, Lula argumenta que ações unilaterais e o uso da força, como o observado, contribuem para uma "erosão contínua da lei internacional". Ele alerta que a ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial está sob ameaça quando a força deixa de ser exceção para virar regra na resolução de conflitos.
Embora não tenha nomeado diretamente o governo autoritário de Maduro, que completa 13 anos no poder, Lula fez uma rara menção aos desvios democráticos. Ele afirmou que líderes de qualquer nação podem e devem ser responsabilizados por atitudes que minam a democracia e os direitos fundamentais. No entanto, deixou claro que essa responsabilização é uma prerrogativa soberana de cada povo e nação.
"O futuro da Venezuela e de qualquer outro país deve continuar nas mãos de seu povo", escreveu o presidente, condenando veementemente a intervenção externa como solução.
O Caminho do Diálogo com os Estados Unidos
Em contraponto à crítica, Lula destacou a abertura de diálogo que seu governo mantém com o presidente dos EUA, Donald Trump. Ele apresentou essa via diplomática como a alternativa correta para enfrentar os desafios comuns do hemisfério.
O artigo ressalta a posição do Brasil e dos Estados Unidos como as duas maiores democracias das Américas. Lula defende que a união de esforços em áreas concretas é o caminho a seguir. "Nós do Brasil estamos convencidos de que unir os nossos esforços em torno de planos concretos de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir", afirmou.
Um Hemisfério que Pertence a Todos
A mensagem final do presidente é um chamado à cooperação e ao respeito mútuo. A frase "os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós" sintetiza sua visão de que os problemas das Américas devem ser resolvidos pelos próprios americanos, através do diálogo e não da imposição.
A publicação do artigo em um veículo de grande influência como o New York Times marca uma posição diplomática forte do Brasil no cenário internacional. Lula busca reposicionar o país como um defensor da soberania e da paz, ao mesmo tempo em que mantém canais abertos com potências globais, reafirmando o papel do Brasil como um ator relevante e moderador em conflitos regionais.