Irã: Líder supremo culpa Trump por mortes em protestos que já deixam 5 mil vítimas
Khamenei culpa Trump por mortes em protestos no Irã

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, atribuiu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a responsabilidade pelas mortes ocorridas durante a recente onda de protestos que sacode o país. A acusação foi feita em um discurso no sábado, 17 de fevereiro, para uma multidão de apoiadores, em meio a um balanço trágico que aponta para milhares de vítimas fatais.

O Discurso Inflamado e os Números da Crise

Em suas declarações, Khamenei foi enfático ao culpar o mandatário americano. "Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana", afirmou o líder, que está no poder desde 1989. Ele classificou a situação como uma "conspiração americana" com o objetivo de "devorar o Irã" e subjugá-lo militar, política e economicamente.

O contexto das palavras de Khamenei é de extrema tensão. Uma fonte do governo iraniano informou à agência Reuters, no domingo (18), que aproximadamente 5.000 pessoas já morreram em decorrência da violência durante os protestos. Desse total, cerca de 500 seriam agentes de segurança. Este novo balanço, no entanto, ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades de Teerã.

Repressão Severa e Isolamento Digital

Os protestos, que começaram em 28 de dezembro inicialmente por motivos econômicos, rapidamente evoluíram para um movimento que pede o fim do regime teocrático que governa o Irã há mais de quatro décadas. A resposta do governo foi uma campanha de repressão descrita pelo procurador de Teerã, Ali Salehi, como "firme, dissuasiva e rápida".

Khamenei ordenou que as autoridades "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes", prometendo não perdoar "criminosos domésticos" nem "criminosos internacionais". Para conter a disseminação de informações, o governo iraniano impôs um corte massivo no acesso à internet a partir de 8 de janeiro, que durou mais de 200 horas. Apesar de uma leve retomada detectada, a conectividade permanece em cerca de 2% dos níveis habituais, segundo a ONG Netblocks.

Reações Internacionais e Dificuldade de Apuração

A magnitude da repressão gerou reação mundial. Donald Trump havia ameaçado atacar o Irã caso o regime começasse a executar manifestantes detidos, reativando as tensões históricas entre os dois países. Enquanto isso, organizações de direitos humanos tentam contornar o apagão digital para contabilizar as vítimas.

A ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, estima em pelo menos 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança, mas ressalta que o número real pode ser maior. Já o canal de oposição Iran International, com base no exterior, citando fontes governamentais e de segurança, chegou a divulgar a cifra de 12.000 mortos. O governo iraniano, por sua vez, nega a autoria das mortes de civis, acusando os próprios manifestantes de incitar a violência e os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.

Com a internet ainda majoritariamente bloqueada, iranianos no exterior dependem de comunicações curtas e custosas com familiares, temendo interceptação ou represálias. O cenário permanece de incerteza e conflito, com o regime iraniano consolidando sua narrativa de confronto externo enquanto enfrenta uma de suas maiores ondas de descontentamento interno em anos.