Juiz na Virgínia bloqueia referendo que poderia dar mais cadeiras aos democratas
Juiz na Virgínia bloqueia referendo eleitoral democrata

Um juiz do estado da Virgínia, nos Estados Unidos, bloqueou a certificação dos resultados de um referendo que visava redefinir o mapa eleitoral do estado. A mudança poderia favorecer a oposição democrata nas eleições de meio de mandato. A prática de redesenhar distritos eleitorais para beneficiar um partido, conhecida como "gerrymandering", tornou-se uma das batalhas decisivas entre republicanos e democratas para as eleições legislativas de novembro.

Decisão judicial

O estado da Virgínia aprovou em referendo, na terça-feira (21), a permissão para que as autoridades redesenhassem o mapa dos distritos, o que poderia conceder aos democratas quatro cadeiras adicionais na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. No entanto, o juiz Jack Hurley, do Tribunal de Circuito do condado de Tazewell, proibiu que os funcionários estaduais certificassem o resultado e utilizassem os novos mapas, em decisão emitida na quarta-feira (22). Hurley declarou que todos os votos a favor ou contra a proposta de emenda constitucional nas eleições especiais de 21 de abril de 2026 ficam sem efeito.

Contexto político

O referendo na Virgínia foi a resposta democrata à iniciativa de redistribuição eleitoral lançada pelo presidente Donald Trump e pelos republicanos em outros estados, como o Texas, para proteger a frágil maioria no Congresso até o fim de seu mandato. Dos 11 representantes da Virgínia no Congresso americano, seis são atualmente democratas. Com a nova delimitação territorial, o partido esperava aumentar esse número para 10. Para alcançar o objetivo, os democratas redesenharam o mapa eleitoral de forma que todos os condados de maioria rural, mais alinhados aos republicanos, ficassem em um único distrito, com um único representante potencial.

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Reações e próximos passos

Trump disse na quarta-feira que a votação na Virgínia foi "fraudulenta". O procurador-geral do estado anunciou que vai apresentar recurso imediatamente contra o bloqueio judicial. A redistribuição de distritos costuma seguir o censo nacional dos Estados Unidos, realizado a cada 10 anos. No entanto, no ano passado, Trump instou os estados governados por republicanos a redesenharem os mapas eleitorais no meio da década, de modo independente ao censo. Ohio e a Carolina do Norte seguiram o exemplo texano e redesenharam seus mapas para oferecer mais cadeiras ao partido do presidente. O Partido Democrata decidiu contra-atacar e fez sua própria redistribuição também na Califórnia.

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