Irã declara boicote oficial à Copa do Mundo de 2026 após morte de líder e tensões internacionais
O ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, anunciou nesta quarta-feira (11) que a seleção nacional de futebol não participará da Copa do Mundo de 2026. A decisão foi tomada em resposta à morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, conforme relatado pelo ministro em declarações à televisão estatal iraniana.
"Considerando que esse regime corrupto (dos Estados Unidos) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo", afirmou Donyamali, deixando claro o posicionamento do governo iraniano diante do conflito internacional.
Garantias da Fifa e posição dos Estados Unidos
Na mesma data, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou uma mensagem nas redes sociais destacando a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Infantino, Trump garantiu que a seleção do Irã seria recebida sem obstáculos durante a Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México.
"Durante nossa conversa, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é bem-vinda, sem dúvida, para disputar o torneio nos Estados Unidos", escreveu o dirigente da Fifa. Infantino ainda enfatizou a importância do evento esportivo para unir as pessoas, agradecendo publicamente ao presidente norte-americano pelo apoio demonstrado.
Contexto histórico e tensões prévias
A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 já estava sob questionamento anteriormente. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, havia expressado dúvidas sobre o envio da seleção após a Austrália conceder asilo político a cinco jogadoras da seleção feminina do Irã.
Taj mencionou em entrevista à televisão estatal um suposto bombardeio contra uma escola em Minab, pelo qual o Irã responsabiliza Israel e os Estados Unidos, resultando em 160 mortes. "Como ser otimista nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?", questionou o dirigente, reforçando a desconfiança do país em relação ao evento.
Casos de asilo e repercussões internas
O asilo concedido pela Austrália às jogadoras da seleção feminina do Irã, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, ocorreu após as atletas se recusarem a cantar o hino iraniano antes de uma partida. O gesto foi interpretado como um ato de rebeldia no Irã, onde as jogadoras passaram a enfrentar críticas e ameaças, intensificando as tensões políticas em torno do esporte.
Com os jogos previstos inicialmente em Los Angeles e Seattle, contra seleções como Bélgica, Nova Zelândia e Egito, a ausência do Irã na Copa do Mundo de 2026 promete alterar o cenário competitivo e destacar as divisões geopolíticas no maior torneio de futebol do planeta.
