O governo do Irã divulgou, neste domingo (18 de janeiro de 2026), um balanço oficial que aponta para um número alarmante de vítimas nos protestos que assolam o país. Pelo menos 5.000 pessoas já perderam a vida, incluindo cerca de 500 agentes de segurança, segundo estimativas de um porta-voz não identificado do regime, repassadas à agência Reuters.
Origens e escalada da crise
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro do ano passado, motivados inicialmente pelo aumento dos preços e pela deterioração das condições de vida da população. Rapidamente, no entanto, os atos evoluíram para uma contestação ampla ao regime teocrático dos aiatolás, que governa o Irã há mais de quatro décadas.
As ruas se tornaram palco de confrontos violentos, com o regime e os manifestantes trocando acusações sobre a origem da letalidade. Enquanto organizações internacionais de direitos humanos e líderes ocidentais responsabilizam a repressão violenta das autoridades, Teerã apresenta uma narrativa diferente.
As versões conflitantes sobre as mortes
O porta-voz iraniano que falou à Reuters atribuiu as mortes a "terroristas e manifestantes armados", acusando-os de matar "iranianos inocentes". Ele afirmou que não espera que o número final de óbitos aumente significativamente e fez uma grave acusação: "Israel e grupos estrangeiros armados" seriam os responsáveis por equipar os opositores.
No sábado (17), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi mais específico em suas críticas. Ele responsabilizou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela insurreição. "Consideramos o presidente americano culpado pelas mortes, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana", declarou Khamenei, mencionando uma "conspiração americana" para "devorar o Irã" e subjugá-lo militar, política e economicamente.
Números divergentes e prisões em massa
Enquanto o regime fala em 5.000 mortes, organizações de monitoramento independentes apresentam cifras diferentes, embora também elevadas. O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, contabilizava até sábado 3.308 mortes confirmadas, com outros 4.382 casos ainda sob análise. A mesma organização afirma que cerca de 24 mil pessoas já foram presas no contexto dos protestos.
A imagem da crise ultrapassa as fronteiras do país. No dia 13 de janeiro, em Milão, um manifestante anti-regime chegou a acender um cigarro com um papel em chamas que trazia a imagem do aiatolá Khamenei, em frente ao consulado norte-americano, simbolizando a temperatura do conflito e sua dimensão internacional.
Conclusão: um impasse violento
Passados 20 dias de manifestações contínuas, o cenário no Irã permanece extremamente tenso e polarizado. De um lado, um regime que se mantém no poder há décadas e atribui a instabilidade a uma interferência estrangeira. Do outro, uma parcela da população que, começando por reivindicações econômicas, passou a desafiar abertamente as estruturas de governo. O saldo, até o momento, é de milhares de vidas perdidas, dezenas de milhares de detenções e um futuro incerto para o país, com a comunidade internacional observando atentamente os desdobramentos de mais uma grave crise no Oriente Médio.