Influenciadora russa pró-Kremlin alerta Putin sobre medo popular e queda nas pesquisas
Influenciadora russa alerta Putin sobre medo popular e queda em pesquisas

Influenciadora russa pró-Kremlin faz alerta direto a Putin sobre medo da população

A influenciadora digital russa Victoria Bonya, conhecida por seu conteúdo sobre maquiagem e beleza para mais de 13 milhões de seguidores, surpreendeu ao mudar radicalmente o foco de suas postagens. Em um vídeo de 18 minutos que rapidamente alcançou 26 milhões de visualizações e 1,3 milhão de curtidas, Bonya dirigiu-se diretamente ao presidente Vladimir Putin com um desabafo político contundente.

"Vladimir Vladimirovich, o povo tem medo de você", afirmou a influenciadora de 46 anos, tradicionalmente alinhada com o Kremlin. "Blogueiros, artistas têm medo; governadores têm medo de você. Mas você é o presidente do nosso país. Não acho que devemos ter medo de você."

Coincidência com queda histórica nas pesquisas de aprovação

O momento do desabafo de Bonya é significativo, pois coincide com a sexta semana consecutiva de queda de Putin nas pesquisas de opinião. Pela primeira vez desde o início da guerra com a Ucrânia, o índice de aprovação do presidente russo caiu para menos de 70%, de acordo com dados do próprio instituto de pesquisa do Kremlin.

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Ex-estrela do Big Brother russo, Victoria Bonya parece refletir um crescente descontentamento popular. Após a invasão da Ucrânia há quatro anos, ela já havia protestado contra as sanções internacionais, chegando a rasgar publicamente uma bolsa Chanel quando a marca francesa anunciou o encerramento de suas atividades na Rússia.

Alerta sobre situação que pode "sair do controle"

Sem mencionar diretamente a guerra, a influenciadora advertiu Putin sobre os riscos da atual situação política. "Você sabe qual é o risco? Que as pessoas deixem de ter medo, que se sintam como uma mola comprimida e que um dia essa mola arrebente", declarou Bonya em seu vídeo viral.

Ela descreveu a existência de "um muro enorme" entre o presidente e a população, enumerando problemas concretos que afetam os cidadãos russos:

  • Má gestão durante inundações no Daguestão
  • Poluição na costa do Mar Negro
  • Abate brutal de gado na Sibéria
  • Apagões frequentes na internet móvel

Esses problemas, combinados com a estagnação econômica e os impactos da guerra, são apontados como fatores que contribuem para a queda no desempenho do presidente nas pesquisas de opinião pública.

Eco entre outros influenciadores russos

As críticas de Victoria Bonya encontraram ressonância entre outros criadores de conteúdo russos. A blogueira Aiza, com 4 milhões de seguidores, descreveu a Rússia como um país que sofre de "jornalismo morto, jurisprudência morta e humor morto", referindo-se às punições severas aplicadas a quem conta piadas consideradas inadequadas.

Aiza também denunciou a corrupção generalizada: "Pensem nas pessoas que estão sofrendo agora, sem casa, sem comida, já à beira do abismo. Quanto é preciso roubar para ter o suficiente. Espero sinceramente que nosso presidente realmente não saiba".

Contexto de segurança e resposta do Kremlin

Ambas as influenciadoras gozam de uma situação privilegiada de segurança por residirem fora da Rússia - Bonya em Mônaco e Aiza em Bali. Segundo Victoria Bonya, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, informou que seu discurso direcionado a Putin havia sido visto dentro do governo e que as autoridades estavam trabalhando para resolver os problemas mencionados.

Apesar das críticas contundentes, Bonya se define como apolítica e descarta qualquer ambição de assumir um papel na oposição formal. Ela prefere adotar uma tática comum entre os russos críticos: isentar Putin da responsabilidade direta e culpar as autoridades intermediárias por supostamente esconderem do presidente a realidade vivida pela população.

Este episódio marca um momento significativo na relação entre influenciadores digitais e o establishment político russo, demonstrando como figuras públicas tradicionalmente alinhadas com o governo começam a expressar abertamente preocupações sobre a direção do país e o distanciamento entre o Kremlin e os cidadãos comuns.

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