Hungria pede que UE suspenda sanções ao petróleo russo, seguindo exemplo dos EUA
Hungria pede que UE suspenda sanções ao petróleo russo

Hungria pressiona União Europeia por suspensão de sanções ao petróleo russo

Nesta sexta-feira (13), a Hungria fez um apelo direto à União Europeia para que siga o exemplo dos Estados Unidos e suspenda temporariamente as sanções impostas ao petróleo russo que já está em trânsito. A medida, segundo o governo húngaro, é essencial para conter a disparada nos preços da energia que afeta o continente. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, foi enfático ao defender que a Europa adote ações semelhantes às de Washington, permitindo que os combustíveis russos voltem a circular no mercado europeu.

Posicionamento pró-Moscou e críticas à UE

O governo húngaro, liderado pelo ultranacionalista Viktor Orbán, mantém uma das posições mais dependentes do petróleo russo dentro do bloco europeu e tem se aproximado consistentemente de Moscou. Budapeste tem se distanciado das decisões da União Europeia em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, criticando abertamente as sanções contra o Kremlin e as medidas de apoio a Kiev. Szijjarto acusou o bloco de tomar decisões alinhadas aos interesses da Ucrânia, afirmando que a Hungria defenderá suas próprias prioridades energéticas e não permitirá que ações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky provoquem aumentos nos preços.

Exemplo norte-americano e justificativas húngaras

Na quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram uma autorização temporária para a venda de petróleo russo armazenado em navios, uma resposta à escalada nos preços da commodity desde o início do conflito envolvendo o Irã. O Departamento do Tesouro norte-americano concedeu uma licença que permite, por um mês, a comercialização de petróleo bruto e derivados russos carregados em embarcações antes da última quinta-feira. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a decisão não deve gerar benefícios financeiros significativos para o governo russo.

Szijjarto argumentou que a medida de Washington tende a ampliar a oferta de petróleo no mercado mundial, ajudando a frear a alta dos preços, mas que esse efeito não será percebido na Europa enquanto o bloco mantiver as sanções. Ele destacou que o petróleo russo é fundamental para manter o equilíbrio do mercado energético global, ecoando declarações de Kirill Dmitriev, enviado do presidente russo Vladimir Putin para assuntos econômicos.

Contexto de tensões e veto a empréstimo

O governo de Viktor Orbán também vetou recentemente um empréstimo de 90 bilhões de euros destinado à Ucrânia, justificando a decisão com a interrupção do fluxo de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que afetou diretamente a Hungria e a Eslováquia. Budapeste acusa Kiev de bloquear o trânsito de petróleo russo por essa rota tradicional de abastecimento, parte da qual foi danificada durante ataques russos no conflito.

Cenário global de preços e conflitos

Nos últimos dias, o preço do petróleo ultrapassou a marca de 100 dólares por barril, pressionado pela escalada da guerra no Oriente Médio. O cenário reacendeu temores de uma nova crise econômica global, com diversos países dependentes do petróleo exportado pelos produtores do Golfo Pérsico enfrentando dificuldades adicionais devido à interrupção prática do tráfego de navios pelo estreito de Ormuz.

O conflito na região teve início após ataques em larga escala lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Em resposta, Teerã passou a atacar países vizinhos e petroleiros que transitam pela região estratégica do Golfo, agravando a instabilidade no mercado energético.

Em um incidente relacionado, um avião militar dos EUA caiu na guerra contra o Irã, com autoridades iranianas afirmando que a aeronave de reabastecimento foi atingida por grupos armados, resultando na morte de seis tripulantes. O Pentágono, no entanto, nega que a queda do KC-135 tenha sido causada por fogo inimigo e afirma que investiga o caso.