Mais de 200 presos políticos na Venezuela iniciam greve de fome contra exclusões em lei de anistia
Mais de 200 presos políticos na Venezuela declararam greve de fome em protesto contra as exclusões contidas na recém-aprovada lei de anistia, informaram familiares e os próprios detentos no domingo (22). O movimento inclui um gendarme argentino acusado de "terrorismo" e ocorre principalmente na prisão de El Rodeo, nos arredores de Caracas.
Protesto organizado e gritos de liberdade
"Liberdade!", "que todos nós saiamos!", "Rodeo I em greve de fome", gritaram os presos políticos, segundo correspondente da France Presse (AFP). Eles respondiam aos familiares que, todas as noites, sobem uma pequena montanha próxima para observar o pavilhão e gritar mensagens de incentivo. A greve começou na noite de sexta-feira, enquanto outros detentos recebiam liberdade e uma comissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) entrava no domingo para examinar os reclusos.
Contexto da lei de anistia e exclusões controversas
A greve segue outro protesto de familiares na semana passada e ocorre após o Parlamento aprovar a lei na quinta-feira. A iniciativa é da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Nicolás Maduro em operação americana em 3 de janeiro. A lei exclui casos relacionados a temas militares, os mais frequentes em El Rodeo I, e não é automática: beneficiários devem solicitar aplicação em tribunal, cobrindo fatos específicos de 27 anos de chavismo.
Primeiras libertações e visita histórica da Cruz Vermelha
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, informou que 1.500 presos políticos solicitaram liberdade via anistia, e 11 mil em liberdade condicional terão plena liberdade. Filippo Gatti, coordenador de Saúde do CICV, disse às famílias: "É a primeira vez que nos deixam nos aproximar desse centro penitenciário. É um primeiro passo". Médicos desconheciam a greve, segundo conversas com familiares fora de El Rodeo.
Casos específicos e reações políticas
Yalitza García relatou à AFP que seu genro, o gendarme argentino Nahuel Agustín Gallo (detido em 8 de dezembro de 2024 por terrorismo e conspiração), aderiu ao protesto. O governo afirmou que uma comissão parlamentar estudará casos excluídos e não descarta indultos. Enquanto isso, liberações começaram: Wilfredo García, 31 anos, acusado de "terrorismo", saiu após um ano e meio, dizendo "pude sair por causa da lei de Anistia".
Números e silêncio oficial
A ONG Foro Penal informou 23 libertações no domingo, e o partido Vente (da Nobel da Paz María Corina Machado) relatou libertação de pelo menos sete dirigentes. Machado escreveu no X: "Em breve nos abraçaremos em liberdade!". As autoridades não se pronunciaram sobre libertações ou greve; informações vêm de familiares de presos não participantes que entraram na visita de fim de semana. Robin Colina, ao sair, ouviu que na segunda-feira 350 presos deixariam El Rodeo.



