O cenário político da Venezuela para as próximas eleições presidenciais deve ser marcado por uma disputa acirrada entre duas mulheres, segundo análise de especialista. A presidente interina, Delcy Rodríguez, e a líder oposicionista, María Corina Machado, são apontadas como as principais candidatas em um processo que, na visão de analistas, terá os Estados Unidos como grande beneficiário, independentemente do resultado.
Elogios de Trump e alinhamento de interesses
O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena analisou o recente diálogo entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Delcy Rodríguez. Após uma conversa telefônica na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, Trump classificou a líder venezuelana como uma pessoa incrível e expressou confiança em relações positivas entre os dois países nos próximos anos.
Delcy Rodríguez, por sua vez, definiu o contato como produtivo e cordial. Segundo Lucena, em entrevista ao Conexão Record News, a postura mais reservada da política venezuelana reflete seu pragmatismo. Ela quer a própria sobrevivência, da família dela e dos partidários, explicou o especialista.
Para garantir essa sobrevivência política e econômica, a estratégia de Delcy passa por abrir a Venezuela para investimentos estrangeiros, alinhando-se diretamente aos interesses norte-americanos. Lucena destacou que Trump precisa cumprir promessas feitas tanto à sociedade americana quanto às companhias petrolíferas do país, o que exige o apoio total da presidente interina venezuelana.
A preparação do cenário eleitoral
O analista internacional revelou que um dos pontos negociados seria a participação de Delcy Rodríguez em uma campanha eleitoral legítima. Se Delcy entregar um crescimento econômico da Venezuela, ainda que seja de somente US$ 10, ela poderia participar de uma campanha eleitoral sem precisar de fraudes, afirmou Lucena.
Esta condição seria uma vantagem significativa em uma eventual disputa contra sua maior rival, María Corina Machado. Apesar de conflitos passados entre Machado e Donald Trump, Igor Lucena prevê que ela será a candidata representante da oposição.
Tal cenário configuraria um marco histórico: a primeira eleição democrática na Venezuela disputada entre duas mulheres, um fato que o especialista avalia como muito positivo para o país.
Os Estados Unidos como fator constante
Por trás dos bastidores da política venezuelana, no entanto, Lucena enxerga a mão dos Estados Unidos moldando os acontecimentos. Em sua análise, os Estados Unidos estão preparando uma democracia venezuelana em que eles ganham independente do que aconteça.
Isso significa que, seja com a continuidade de Delcy Rodríguez, alinhada aos interesses de Washington, ou com a vitória da oposição representada por María Corina Machado, os norte-americanos sairiam fortalecidos. Os interesses dos EUA no petróleo venezuelano e na estabilização da região aparecem como elementos centrais dessa equação.
O especialista conclui que, no momento, os interesses da presidente interina Delcy Rodríguez e dos Estados Unidos coincidem, mas o jogo político está sendo preparado para garantir vantagens a Washington em qualquer resultado futuro. A Venezuela, portanto, se encaminha para um processo eleitoral decisivo, com protagonismo feminino, mas sob a forte influência da política externa norte-americana.