FMI alerta: guerras causam perdas econômicas persistentes por mais de uma década
FMI: guerras causam perdas econômicas por mais de uma década

FMI revela impacto econômico devastador e duradouro das guerras no mundo

O Fundo Monetário Internacional divulgou nesta quarta-feira (8) uma pesquisa alarmante sobre as consequências econômicas dos conflitos armados. Segundo o estudo, guerras causam perdas econômicas grandes e persistentes nos países onde ocorrem combates, com a produção caindo cerca de 7% em cinco anos em média e cicatrizes econômicas que duram mais de uma década.

Conflitos atingem nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial

O FMI examinou o custo dos conflitos ativos - que agora estão nos níveis mais altos desde o final da Segunda Guerra Mundial - e as consequências macroeconômicas de aumentos acentuados nos gastos militares. A análise faz parte de dois capítulos do próximo relatório Perspectiva Mundial, que será divulgado na próxima terça-feira.

"Além de seu devastador custo humano, guerras impõem custos econômicos grandes e duradouros e representam difíceis compensações macroeconômicas, especialmente para os países onde há combates", afirmou o FMI em um blog divulgado junto com a pesquisa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Dados alarmantes sobre a extensão dos conflitos

Os números são preocupantes: em 2024, o ano mais recente para o qual há dados disponíveis, mais de 35 países passaram por conflitos em seus territórios e cerca de 45% da população mundial vivia em países afetados por conflitos.

O estudo analisou dados sobre os gastos com armas de 164 países e examinou as economias em tempos de guerra desde 1946, oferecendo uma visão abrangente do fenômeno.

Impacto econômico supera crises financeiras e desastres naturais

Segundo o capítulo do FMI, "perdas de produção decorrentes de conflitos persistem mesmo depois de uma década e normalmente excedem aquelas associadas a crises financeiras ou desastres naturais graves".

Os pesquisadores destacaram que conflitos contribuem para:

  • Depreciação sustentada da taxa de câmbio
  • Perdas significativas de reservas internacionais
  • Aumento preocupante da inflação
  • Ampliação dos desequilíbrios externos
  • Estresse macroeconômico generalizado

Efeitos se estendem além das fronteiras dos países em guerra

O estudo revela que mesmo países envolvidos em conflitos externos, que podem evitar a destruição física em seu próprio solo e grandes perdas econômicas diretas, acabam afetando seus vizinhos e principais parceiros comerciais.

"Países vizinhos ou os principais parceiros comerciais sentirão o choque", alertou o FMI, destacando a natureza contagiosa dos impactos econômicos dos conflitos.

Autoridades internacionais expressam preocupação

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, já adiantou à Reuters na segunda-feira que a instituição deve cortar sua previsão de crescimento global e aumentar as projeções de inflação como resultado dos conflitos recentes.

Na terça-feira, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, reforçou essa perspectiva ao afirmar que os conflitos resultarão em algum grau de crescimento mais lento e inflação mais alta, independentemente da rapidez com que terminem.

Metodologia e abrangência do estudo

Embora os capítulos divulgados não abordem especificamente a guerra no Oriente Médio ou o cessar-fogo de duas semanas anunciado recentemente, eles oferecem uma análise histórica abrangente e dados atualizados que permitem entender as dinâmicas econômicas dos conflitos contemporâneos.

A pesquisa do FMI serve como um alerta importante para governos, instituições financeiras e formuladores de políticas em todo o mundo sobre as consequências econômicas de longo prazo das guerras e a necessidade de estratégias para mitigar esses impactos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar