Filha de ex-ditador lidera corrida presidencial no Peru uma semana antes do pleito
A ex-congressista Keiko Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, ocupa a primeira posição nas pesquisas eleitorais do Peru, conforme três sondagens divulgadas neste domingo. Com apenas sete dias restantes para as eleições presidenciais, a candidata de direita registra 14,5% das intenções de voto segundo levantamento da Datum International.
Panorama eleitoral dominado pela direita
Dois outros estudos de opinião pública, realizados pela Ipsos Peru e pela Peruvian Market Research Company, confirmam a liderança de Fujimori no cenário político peruano. Esta é a quarta tentativa consecutiva da direitista em conquistar a presidência do país, sendo que uma de suas principais propostas de campanha inclui a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, e o humorista Carlos Álvarez aparecem em segundo e terceiro lugares respectivamente, ambos alcançando aproximadamente 10% das intenções de voto conforme variações entre as diferentes pesquisas. Assim como Fujimori, estes candidatos defendem medidas mais rigorosas no combate à criminalidade que assola o país.
Cenário complexo com 35 candidatos
O pleito presidencial conta com impressionantes 35 candidatos em disputa, porém as projeções indicam que nenhum deles deverá alcançar os 50% dos votos necessários para vitória no primeiro turno. Consequentemente, a expectativa geral aponta para a realização de um segundo turno eleitoral, já agendado para o dia 7 de junho.
Segundo dados complementares da pesquisa Datum, aproximadamente 16,8% do eleitorado peruano permanece indeciso sobre seu voto, demonstrando a volatilidade do cenário político nacional. Esta incerteza eleitoral ocorre dentro de um contexto marcado por profunda instabilidade institucional.
Crise política e violência crescente
O Peru enfrenta desde 2016 uma grave crise de governabilidade caracterizada por investigações contra praticamente todos os chefes de Estado dos últimos anos. Em fevereiro, o Congresso peruano destituiu o presidente interino José Jerí, alvo de duas investigações da Procuradoria-Geral por suposto "tráfico de influência".
Este político tornou-se o sétimo chefe de Estado peruano em apenas oito anos, evidenciando a rotatividade preocupante no mais alto cargo do país. Após a destituição, o esquerdista José María Balcázar foi eleito para liderar o Congresso e, automaticamente, assumiu a presidência interina do Peru.
A escalada da violência associada ao crime organizado representa outro desafio significativo para o próximo governo. Dados policiais revelam que, apenas no ano passado, foram registrados 2.200 homicídios vinculados a redes criminosas, enquanto as denúncias de extorsão aumentaram alarmantes 19%.
Legado controverso da família Fujimori
A candidatura de Keiko Fujimori simboliza o possível retorno ao poder do legado político de seu pai, Alberto Fujimori, cujo governo entre 1990 e 2000 mergulhou o país em práticas corruptas que ainda persistem. O ex-presidente faleceu em 2024 aos 86 anos, deixando um histórico marcado por violações aos direitos humanos.
Dois anos após assumir a presidência, Fujimori aliou-se às Forças Armadas para executar um "autogolpe" de Estado, dissolvendo o Congresso e fechando o Poder Judiciário. Seu decênio no poder é amplamente considerado um período de exceção democrática, caracterizado por:
- Desrespeito sistemático às instituições democráticas
- Perseguição política a opositores
- Censura e ataques à imprensa independente
Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e como mandante dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), onde 25 pessoas perderam a vida. Estes crimes foram classificados como contra a humanidade pela justiça peruana.
Além disso, o ex-ditador foi considerado culpado pelos sequestros de um empresário e um jornalista, e é lembrado por políticas radicais como a esterilização forçada de indígenas e a exibição pública de líderes guerrilheiros presos em jaulas.



