Medida dos EUA visa desacelerar desenvolvimento de chips avançados na China
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos determinou que diversas empresas do setor de semicondutores parem de enviar determinadas ferramentas para a Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China, conforme informações da Reuters. A ordem, emitida na semana passada, representa a mais recente tentativa de desacelerar o progresso chinês na produção de chips avançados, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto.
Restrições atingem Hua Hong e Huali Microelectronics
O departamento enviou cartas a algumas empresas informando sobre novas limitações a ferramentas e outros materiais destinados às instalações da Hua Hong, que autoridades americanas acreditam ser capazes de produzir os chips mais avançados da China. Entre as empresas notificadas estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte presença no mercado chinês. As cartas também visam impedir envios à Huali Microelectronics, unidade de fabricação sob contrato do grupo Hua Hong.
A Reuters informou em março que o grupo Hua Hong havia desenvolvido tecnologias avançadas de fabricação que poderiam ser usadas na produção de chips de inteligência artificial, um marco nos esforços de Pequim para ampliar a autossuficiência tecnológica. A Huali se preparava para adotar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai, segundo fontes. Atualmente, a SMIC, maior fabricante contratada de chips da China, é a única empresa do país capaz de produzir chips com essa tecnologia.
Impacto no mercado e tensões políticas
As ações da KLA, Lam e Applied Materials caíram entre 4% e 6% após a divulgação das cartas pela Reuters, enquanto os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% na terça-feira. Empresas americanas de equipamentos para chips e outros fornecedores podem perder bilhões de dólares em vendas, especialmente se abastecem fábricas em construção ou modernização para produzir chips mais avançados, disse uma das fontes.
Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem restringido o envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, como parte de um esforço para preservar a liderança tecnológica americana na produção de chips de inteligência artificial e outros semicondutores, por razões de segurança nacional. As cartas recentes dão continuidade a essa política, mas podem aumentar as tensões com a China antes da reunião prevista em maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Embora as restrições possam desacelerar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, a Hua Hong pode substituir os equipamentos por alternativas de fornecedores estrangeiros ou locais. Um porta-voz do Departamento de Comércio se recusou a comentar, e a Hua Hong, Lam Research, Applied Materials e KLA não responderam imediatamente a pedidos de comentário.



