EUA e Irã retomam diálogo nuclear após tensões, mas divergências persistem
EUA e Irã retomam diálogo nuclear após tensões

EUA e Irã retomam diálogo nuclear após tensões, mas divergências persistem

Os Estados Unidos e o Irã realizaram uma nova rodada de conversas em Omã, com o objetivo de discutir um acordo nuclear e evitar uma escalada nas tensões entre os dois países. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que as negociações serão retomadas no início da próxima semana, após uma primeira rodada que ele classificou como "conversas muito boas".

Clima positivo e expectativas divergentes

Trump destacou que o Irã parece "muito interessado em fechar um acordo", enquanto o governo iraniano informou que as tratativas continuarão, ressaltando o "ambiente muito positivo" do primeiro encontro. No entanto, as expectativas de cada lado são distintas:

  • O Irã defende que as conversas se restrinjam ao seu programa nuclear, buscando o fim das sanções que afetam sua economia há anos.
  • Os Estados Unidos querem incluir na pauta o programa de mísseis balísticos iraniano e o apoio do país a grupos armados rivais de Israel no Oriente Médio.

Contexto de tensão e pressão militar

As conversas em Mascate, capital de Omã, representam o primeiro encontro entre os dois países desde que os Estados Unidos entraram na guerra de Israel contra o Irã, em junho de 2025, atacando instalações nucleares iranianas. Para manter a pressão, Washington enviou navios de guerra e um porta-aviões à região do Golfo, após a repressão violenta a protestos no Irã no início de janeiro, que deixou milhares de mortos, segundo organizações de direitos humanos.

Declarações e sanções em meio ao diálogo

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou as conversas como positivas, afirmando que "é um bom começo" e que as duas partes concordaram em continuar as negociações, embora detalhes e calendário ainda precisem ser definidos. Ele ressaltou que o diálogo se concentra "exclusivamente na questão nuclear" e pediu que Washington evite ameaças.

Apesar disso, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra 15 empresas, duas pessoas e 14 embarcações ligadas à "frota fantasma", usada para burlar restrições às exportações de petróleo iraniano, atingindo inclusive navios com bandeiras de países como Turquia, Índia e Emirados Árabes Unidos.

Posições firmes e risco de conflito

Enquanto a porta-voz da Casa Branca declarou que Washington busca uma política de "capacidade nuclear zero" para o Irã, o porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, alertou que o país está pronto para se defender e que "cabe ao presidente dos Estados Unidos escolher entre conciliação ou guerra". A China, por sua vez, afirmou apoio ao Irã e criticou o que chamou de "intimidação unilateral".

O chanceler de Omã, Badr al Busaidi, que hospedou o diálogo, afirmou que Teerã e Washington precisam avaliar cuidadosamente os resultados e que o encontro ajudou a identificar áreas para avanço. Com a possibilidade de ação militar americana ainda em aberto, as próximas rodadas de negociações serão cruciais para definir o rumo das relações entre as duas nações.