As eleições de 2026 prometem ser um marco na história política do Brasil. Embora a campanha oficial comece apenas em 16 de agosto, as movimentações já se intensificam, especialmente após a convenção do PT em Brasília. O partido, que busca a reeleição de Lula para seu quarto mandato, apresenta-se menor do que em eleições anteriores desde 1989. Isso se deve, em grande parte, ao fato de Lula ser uma figura mitológica para nordestinos e pobres, superando o próprio partido. No entanto, a falta de novas lideranças nacionais mantém Lula como protagonista, apesar de um cenário eleitoral desafiador.
Em 2022, o PT elegeu quatro governadores, um a menos que o recorde de cinco em 2006, 2010 e 2014. Agora, em busca de pragmatismo e votos do centro democrático, o partido abre mão de cabeças de chapa em vários estados, formando alianças com PDT, PSB, MDB, PSD e até PP e União. A extrema direita insiste em afirmar que enfrenta o PT, mas a realidade é que o pleito vai além do quarto mandato de Lula. Está em jogo a revanche do clã Bolsonaro pela derrota de 2022, após manobras pré-eleitorais que culminaram na tentativa de golpe e na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.
Com candidatos como o filho de Bolsonaro e o ex-governador Ronaldo Caiado prometendo indultar o pai e outros golpistas, a eleição de 2026 também envolve a defesa da soberania brasileira diante das ameaças do governo Trump. As figuras de Lula e seus aliados se sobrepõem às posições extremadas do PT, colocando em risco a sobrevivência do Estado Democrático de Direito.
Neutralidade nos pleitos
A vontade popular, expressa nas urnas, é a maior expressão da democracia. Para garantir a neutralidade, a Justiça Eleitoral adota medidas como a identificação de doadores de campanha, o afastamento de candidatos a cargos executivos seis meses antes do pleito e a proibição de nomeações em massa. Os tribunais regionais eleitorais fiscalizam os pleitos locais, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), composto por membros do STF, STJ e Ministério Público Eleitoral, atua como instância final, similar a um VAR dos TREs.
Crise no Rio de Janeiro
O caso do Rio de Janeiro é exemplar. Em 2022, o governador Cláudio Castro foi reeleito em primeiro turno, após assumir o cargo com o impeachment de Wilson Witzel. Castro usou o Ceperj e a UERJ para nomear milhares de cabos eleitorais, bancados pelo erário estadual. Candidatos derrotados, como Eduardo Paes, recorreram à Justiça Eleitoral, mas Castro conseguiu protelar decisões até o prazo final para concorrer ao Senado, buscando imunidade.
Com a renúncia de Castro, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, seria o sucessor, mas teve o mandato cassado após vazar ações policiais. Douglas Ruas (PL-RJ) foi eleito presidente da Alerj, mas o pleito foi anulado por falta de transparência. Assim, o presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto, assumiu o governo e iniciou uma limpeza nas nomeações eleitoreiras. Ruas, temendo perder o poder, pressiona a Justiça Eleitoral para assumir o cargo ou convocar eleição indireta.
O ministro Ricardo Zanin, do STF, decidiu que Couto deve permanecer até a decisão final, aguardando o voto de Flávio Dino. A Corte está dividida: quatro ministros votaram por eleição indireta, enquanto quatro preferem eleição direta. O bom senso sugere que Couto continue até dezembro, garantindo a neutralidade do pleito de outubro.
A decisão do STF terá impacto no terceiro maior colégio eleitoral do país. Desde 2018, o RJ é dominado pelo clã Bolsonaro, com forte ligação a milícias e igrejas evangélicas. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, reagiu à decisão de Zanin ironizando: “Eleição não se resolve em canetada”.



