Derrota histórica de Messias no Senado enfraquece Lula e agita eleição
Derrota de Messias no STF enfraquece Lula e agita eleição

O Senado Federal rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota, ocorrida na quarta-feira 29, é considerada a maior sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 132 anos de história republicana, desde o governo de Floriano Peixoto, que teve cinco nomes recusados. O revés ocorre a seis meses das eleições de outubro, enfraquecendo a candidatura petista e expondo a fragilidade da articulação política do governo no Congresso.

Reações e consequências imediatas

Após o resultado, Messias, emocionado, declarou: "Não é simples para alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação. Mas preciso aceitar o plano de Deus na minha vida. A minha história não acaba aqui". O presidente Lula, por sua vez, tentou minimizar o ocorrido: "Eu tenho o direito de indicar e o Senado tem o direito de aprovar ou rejeitar". No entanto, aliados reconhecem que a derrota representa um duro golpe na governabilidade e na campanha eleitoral. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), esperava obter entre 45 e 48 votos favoráveis, mas o placar final mostrou uma ampla rejeição.

Articulação política e o papel do Centrão

A rejeição foi resultado de uma intensa articulação da oposição, especialmente do PL e do Novo, que conseguiram atrair votos do Centrão, partido que integra a base governista. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), havia previsto a derrota, informando o governo com antecedência. A oposição explorou o discurso de que o STF estaria politizado e atuando em conjunto com o Executivo, especialmente após decisões controversas envolvendo emendas parlamentares e o julgamento dos atos de 8 de janeiro.

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Impacto no STF e na eleição

A vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, aposentado em 2025, permanece aberta. O STF passará a atuar com apenas dez ministros até que uma nova indicação seja feita e aprovada. A oposição defende que a nomeação seja adiada para 2027, quando o próximo presidente eleito poderá escolher. No entanto, Lula resiste em abrir mão desse poder. A derrota também atinge a imagem da Corte, já desgastada por escândalos financeiros envolvendo o Banco Master e pela percepção pública de que ministros estariam envolvidos em irregularidades. Pesquisa Datafolha de abril aponta que 55% dos brasileiros acreditam em envolvimento de ministros do STF com o banco.

Próximos passos e cenário eleitoral

O governo estuda novas alternativas para a vaga, incluindo o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas isso representaria uma capitulação a Alcolumbre. A oposição, liderada por Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), comemora o resultado como um trunfo eleitoral. A cientista política Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, avalia: "A derrota mostra que a articulação fracassou de forma retumbante". O clima entre Executivo e Congresso deve permanecer tenso nos próximos meses, com impactos diretos na governabilidade e na campanha eleitoral.

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