Morte de Ali Khamenei abre crise inédita na cúpula do regime iraniano
A morte do aiatolá Ali Khamenei no fim de semana, em meio à escalada do confronto entre Irã, Estados Unidos e Israel, abriu uma crise sem precedentes na cúpula do regime iraniano. Líder supremo desde 1989, ele ocupava o posto mais poderoso do país — acima do presidente e do Parlamento. O aiatolá Ali Khamenei era o segundo líder supremo do Irã desde a revolução islâmica de 1979.
Agora, sob comando interino, a república islâmica precisa escolher um novo ocupante para a função que concentra autoridade religiosa e política. Mas, afinal, o que é um aiatolá e por que esse cargo tem tanto peso no Irã?
O que é um aiatolá e qual sua função no Irã
Apesar de ter um presidente, o aiatolá é o líder supremo do Irã. O cargo é determinado por clérigos islâmicos, que são encarregados de selecionar, supervisionar e, se necessário, derrubar o líder. O regime no Irã funciona como um misto entre uma república e a liderança religiosa.
Ou seja, o país tem um presidente, mas ele é supervisionado por uma autoridade religiosa máxima — que é o aiatolá. A esposa de Ali Khamenei também faleceu em decorrência dos ferimentos após o ataque do sábado, intensificando a crise.
Os poderes do líder supremo na Constituição iraniana
Os poderes do líder supremo estão previstos na Constituição iraniana. Pelo artigo 110, cabe a ele ser a autoridade máxima e ser a última palavra em tudo que é importante no país. Entre suas atribuições estão:
- Comandar as Forças Armadas
- Poder declarar guerra ou paz
- Definir diretrizes da política externa
- Nomear chefes do Judiciário e da mídia estatal
- Indicar parte dos membros de órgãos estratégicos
O líder supremo exerce influência direta ou indireta sobre praticamente todos os centros de poder do país. Na prática, ele está acima do presidente e pode permanecer no cargo por tempo indeterminado.
Qual é o papel do presidente no sistema iraniano
O presidente da República, cargo ocupado por Masoud Pezeshkian, é eleito pelo voto popular. Ele cuida da administração cotidiana do país:
- Economia
- Políticas públicas
- Relações diplomáticas
- Gestão do governo
No entanto, ele não pode contrariar o líder supremo em questões consideradas estratégicas, como defesa e política internacional. Ou seja: existe eleição que dá ao país tons de democracia, mas o poder final não está com o presidente.
Como é escolhido o aiatolá e a situação atual
O líder supremo não é escolhido pelo voto direto da população. Quem faz essa escolha é a Assembleia dos Peritos, um grupo de clérigos islâmicos eleitos. Cabe a eles selecionar, supervisionar e até destituir o líder, se considerarem necessário.
Com a morte de Ali Khamenei, o país está sob liderança interina de Alireza Arafi, que era um dos homens de confiança do líder supremo morto no ataque. Ele segue no poder até que a Assembleia defina o sucessor.
E essa é uma decisão delicada. O líder supremo não é apenas uma figura religiosa: ele concentra o poder político, militar e institucional do Irã. Em meio a uma escalada de tensão com Estados Unidos e Israel, a escolha pode influenciar diretamente os rumos do conflito e o futuro da república islâmica.
A crise sucessória ocorre em um momento particularmente sensível para as relações internacionais, com o Irã ocupando posição central em conflitos regionais e negociações geopolíticas. A definição do novo aiatolá terá repercussões que vão muito além das fronteiras iranianas.



