Cubanos enfrentam pior momento com crise energética e aumento de preços após bloqueio dos EUA
Moradores de Havana, capital de Cuba, descrevem o atual período como o "pior momento" vivido pelo país, com dificuldades intensificadas após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos no final de janeiro deste ano. A situação inclui apagões prolongados, elevação dos preços de produtos básicos, redução do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado, problemas que se agravaram nas últimas semanas.
Apagões imprevisíveis e prolongados afetam serviços essenciais
A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos e mãe solo de um filho de 9 anos, relata que os apagões em Havana, antes programados, tornaram-se imprevisíveis e com maior duração. "Antes, havia cerca de quatro horas sem energia por dia na capital, depois aumentou para cinco horas. Com o agravamento da crise, esse tipo de planejamento não é mais possível. Ninguém sabe quantas horas podem ser. Hoje houve 12 horas de apagão", afirma ela. A crise energética é ainda mais grave nas províncias do interior da ilha, onde os apagões podem durar quase o dia inteiro, afetando desde o abastecimento de água até serviços bancários e legais.
Aumento acelerado de preços e redução do transporte público
Após o endurecimento do embargo energético, Ivón observou um aumento mais intenso nos preços de itens básicos de consumo. "Nessas últimas semanas, a diferença é que os preços aumentaram em um ritmo muito mais acelerado do que antes. Arroz, o óleo, a carne de frango, que são alimentos básicos para os cubanos, ficaram muito mais caros", destaca. Além disso, a oferta de transporte público diminuiu significativamente, com linhas reduzidas e viagens limitadas, enquanto o transporte privado tornou-se inviável para muitos devido aos custos elevados.
Situação mais difícil que o "período especial" da década de 1990
O economista cubano aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, avalia que o momento atual é mais desafiador do que a década de 1990, conhecida como "período especial", quando a queda do bloco socialista privou Cuba de parceiros comerciais. "Este é o momento mais difícil que o país já enfrentou. A situação energética é muito grave. É mais cruel e severo do que durante o período especial, tanto material, quanto espiritualmente mais desafiador", diz ele. Feliz argumenta que o Estado perdeu capacidade de fornecer integralmente a cesta básica subsidiada, complicando ainda mais a vida da população.
Impactos na saúde, educação e cultura
A crise energética também afeta o acesso a medicamentos e serviços de saúde pública, com consultas canceladas e atendimento de emergência priorizado. Ivón Rivas ressalta que a falta de medicamentos, especialmente para saúde mental, pode levar a acidentes que impactam toda a comunidade. No entanto, a educação e o acesso à cultura têm sido mantidos, com crianças estudando perto de casa e atividades gratuitas, como aulas de música, continuando a funcionar em centros culturais estatais.
Política dos EUA e resistência cubana
O endurecimento do bloqueio é visto como mais uma tentativa dos EUA de derrubar o governo cubano, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há décadas. Para o governo cubano, a medida é "genocida" e busca privar o povo dos meios de subsistência. Ivón Rivas critica o discurso dos EUA, afirmando que, em vez de ajudar, a política estrangula a população. Feliz Thompson defende que Cuba incomoda os EUA por ter superado índices sociais de vizinhos caribenhos com um modelo alternativo, e acredita que o país continuará avançando apesar das adversidades.



