Clima tenso na Alerj após prisão de deputado pela PF
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) amanheceu nesta terça-feira, 5, sob forte tensão, com a presença da Polícia Federal mais uma vez em suas dependências. O alvo da operação foi o deputado Thiago Rangel (Avante), acusado de ser o gestor de um esquema de corrupção dentro da Secretaria estadual de Educação no Noroeste do estado.
Esquema de corrupção e ligações com o crime organizado
De acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, as fraudes tinham como líder maior o ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso na primeira fase da Operação Unha e Carne. As investigações apontam que o esquema pode envolver um grupo ainda maior de políticos. Além disso, Thiago Rangel é citado como tendo ligações com o tráfico de drogas, oferecendo cargos na área de educação a Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”, considerado de alta periculosidade e com condenações por homicídio e tráfico.
Votação sobre soltura é adiada
Nos bastidores da Alerj, a conversa entre os deputados gira em torno da falta de “clima” para votar a possível soltura de Rangel. Uma fonte ligada à ala do PL, que detém a maioria na Casa, afirmou que não haverá votação sobre a manutenção da prisão “nem tão cedo”. O motivo é o medo de mais um desgaste para a Assembleia, cuja imagem já está abalada desde que veio à tona a infiltração do crime organizado no caso do ex-deputado TH Joias, preso na primeira fase da operação.
Possíveis impactos na sucessão do governo do Rio
A avaliação entre os parlamentares é de que essa última operação pode influenciar a decisão do STF sobre a sucessão no governo do Rio de Janeiro. Acredita-se que ficou mais distante a possibilidade de a Alerj escolher alguém para o lugar do desembargador Ricardo Couto. O governador em exercício, por sua vez, comanda um pente-fino nas contas e cargos do estado.
Sessão rápida e ausência do presidente
A sessão da tarde desta terça-feira foi rápida, e apenas o deputado Flávio Serafini (PSOL) discursou no plenário sobre a prisão de Rangel. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), não estava presente: ele viajou a Brasília e retorna apenas nesta quarta-feira. Pré-candidato ao governo, Ruas tem em mãos uma “batata quente” com o caso de Thiago Rangel, como analisou um deputado da oposição.
Expectativa de novas operações
Nos corredores da Assembleia, parlamentares também comentam sobre a expectativa de novas operações da Polícia Federal. Na semana passada, já havia conversas nos bastidores sobre políticos serem alvos de ações da polícia devido à corrupção na Secretaria de Educação. De acordo com a investigação, “acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Rodrigo Bacellar”.



