China classifica assassinato de aiatolá como violação grave do direito internacional
O chanceler da China, Wang Yi, emitiu uma declaração contundente neste domingo (1º), durante telefonema com seu homólogo russo Sergei Lavrov, condenando veementemente o assassinato do aiatolá Ali Khamenei. A operação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel foi descrita por Wang como "inaceitável" e uma violação flagrante das normas que regem as relações entre nações soberanas.
Posicionamento firme contra o uso da força
Em nota oficial divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Yi afirmou que "matar abertamente o líder de um Estado soberano e instigar mudança de regime é inaceitável". O ministro reforçou que tais ações transgridem o direito internacional e os princípios fundamentais que devem guiar o convívio entre países. A China se posiciona claramente contra qualquer utilização da força para resolver disputas internacionais, defendendo o diálogo como único caminho legítimo.
Durante a conversa com Lavrov, o chanceler russo concordou com a avaliação chinesa, alertando que os ataques militares contra o Irã prejudicam gravemente a estabilidade em todo o Oriente Médio. A postura de Pequim segue a linha consistente adotada pelo país em conflitos anteriores, onde sempre priorizou a solução pacífica e o respeito à soberania nacional.
Orientações de segurança para cidadãos chineses
Diante da escalada das tensões, a chancelaria chinesa tomou medidas práticas para proteger seus nacionais na região. Foram emitidas orientações específicas para que cidadãos chineses no Irã deixem o país persa imediatamente, indicando rotas de saída seguras através de:
- Azerbaijão
- Armênia
- Turquia
- Iraque
Paralelamente, a embaixada da China em Israel aconselhou todos os cidadãos chineses no território israelense a se deslocarem o mais rápido possível para áreas seguras ou a deixarem o país em direção ao Egito. Estas medidas refletem o alto nível de preocupação das autoridades chinesas com a segurança de seus compatriotas diante do agravamento do conflito.
Condenação nas instâncias internacionais
A posição chinesa já havia sido expressa anteriormente através de seu embaixador na ONU, Fu Cong, que no sábado (28) condenou os ataques contra o Irã durante discurso no Conselho de Segurança. Fu destacou que "a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã e de outros países da região devem ser respeitadas", classificando como "chocante" que a ofensiva militar tenha ocorrido justamente durante negociações diplomáticas entre Washington e Teerã.
O embaixador alertou para o risco real de escalada das tensões na região e reafirmou que a China está "profundamente preocupada" com a situação. A preocupação foi reiterada através do perfil oficial do Ministério das Relações Exteriores da China no Instagram, que publicou mensagem afirmando que o assassinato viola "seriamente" a segurança e soberania do Irã, além dos princípios da ONU e as regras básicas das relações internacionais.
Contexto das negociações nucleares
O ataque ocorre em momento particularmente delicado, durante as tratativas entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear de Teerã. O presidente americano Donald Trump busca o desmantelamento completo do programa, enquanto a China defende a retomada imediata do diálogo e das negociações. Pequim pede que todas as ações militares cessem imediatamente para permitir o retorno às vias diplomáticas, única forma sustentável de resolver disputas internacionais segundo a visão chinesa.
A postura firme da China reflete não apenas sua posição principista sobre soberania nacional e não-intervenção, mas também sua crescente influência como ator global que busca estabilidade nas relações internacionais. O país posiciona-se como defensor de uma ordem mundial baseada no multilateralismo e no respeito às instituições internacionais, opondo-se claramente a ações unilaterais que possam desestabilizar regiões estratégicas como o Oriente Médio.
