Corretor brasileiro em Dubai registra momento de pânico durante ataques no Oriente Médio
O corretor de seguros Cido Santos, natural de Cuiabá, Mato Grosso, tornou-se testemunha ocular de um dos episódios mais tensos da recente escalada de conflitos no Oriente Médio. Durante sua viagem de férias com o companheiro a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ele registrou em vídeo a fachada de um hotel em chamas após ser atingida por destroços, possivelmente de um míssil ou drone interceptado.
Noite de tensão e explosões em Dubai
O incidente ocorreu na noite de sábado, 28 de fevereiro, durante uma ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguida por respostas do governo iraniano direcionadas a países aliados dos norte-americanos. Cido Santos, que está na cidade desde 24 de fevereiro, relatou ao g1 que a explosão aconteceu em um hotel localizado a apenas dois prédios de distância da hospedagem onde o casal está.
"Estava tudo muito conturbado, com sirene, uma confusão e isolaram a área", contou o corretor. "O vídeo é desse hotel que tinha acabado de cair os destroços minutos atrás. Foi um dos destroços que caiu nesse hotel e ocasionou essa explosão".
No momento da explosão, o casal brasileiro estava em um shopping center próximo. O barulho intenso foi ouvido claramente no local e causou correria desesperada entre clientes e funcionários. Só depois, ao deixar o estabelecimento, eles perceberam que o impacto havia atingido o hotel vizinho, onde ocorreu o incêndio na parte externa do prédio.
Medo real e alertas oficiais
Cido descreveu o sábado como o dia mais tenso desde o início dos ataques. Durante a confusão, as autoridades de Dubai emitiram alertas por celular e publicaram orientações nos sites oficiais para que moradores e turistas permanecessem em locais seguros e afastados das janelas.
Seguindo as recomendações, o casal e outros hóspedes precisaram descer para o subsolo do prédio, onde permaneceram protegidos e acompanhando os alertas oficiais sobre os ataques e interceptações de mísseis durante a madrugada.
"Uma coisa é ver as notícias pela televisão, você não imagina como é na realidade", relatou Cido. "Outra coisa é você estar no local e imaginar que a qualquer momento pode cair uma bomba no prédio que você está e tudo ir por água abaixo. Então você fica muito apreensivo".
Contexto do conflito internacional
No dia 28 de fevereiro, uma ofensiva aérea coordenada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã marcou uma dramática escalada no conflito entre as potências ocidentais e Teerã. A ação incluiu ataques aéreos em várias cidades iranianas e alvos estratégicos no país.
Durante essa ofensiva, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque que atingiu seu complexo em Teerã, conforme confirmado pelas autoridades iranianas e por relatos de imprensa internacional. Ele estava no poder desde 1989.
Após os ataques de sábado, o Irã lançou mísseis e drones como retaliação contra Israel e contra bases militares dos Estados Unidos e aliados em diferentes países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos, Barém, Qatar, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Situação atual e incertezas
Já neste domingo, 1° de março, de acordo com o relato do corretor, a situação ficou mais tranquila. Não houve novos registros de explosões ao longo do dia, mas a cidade permaneceu vazia, mesmo com comércios e shoppings abertos.
A orientação das autoridades foi para que as pessoas continuassem em casa e evitassem áreas consideradas de risco. O espaço aéreo da região segue sob monitoramento e pode ter alterações, conforme comunicados oficiais.
O aeroporto de Dubai, um dos principais centros de conexão do Oriente Médio, teve a parte física normalizada após danos, mas aguarda definição sobre a retomada total dos voos.
Cido e o companheiro têm hospedagem na cidade até o dia 4 de março e ainda avaliam se seguirão viagem para as Maldivas ou se retornarão ao Brasil, dependendo da evolução do cenário. Ele afirma que, no momento, não tenta antecipar o retorno e aguarda novas orientações das autoridades locais.
A experiência vivida pelo casal brasileiro ilustra o impacto direto que conflitos internacionais podem ter sobre civis, transformando férias em uma situação de medo e incerteza, enquanto o mundo acompanha a evolução desta crise geopolítica.
