Brasileira em Dubai vive momentos de tensão ao presenciar interceptação de mísseis
A nutricionista brasileira Carla Albuquerque, moradora de Cabo Frio na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, embarcou em uma viagem ao Oriente Médio com o marido esperando dias de lazer, mas se viu em meio a uma situação de extrema tensão. A ideia inicial era realizar um cruzeiro de sete dias após chegar de avião a Dubai na sexta-feira, 27 de abril, porém o clima descontraído se transformou completamente na noite de sábado, 28 de abril.
"Pensei que fossem estrelas cadentes"
Carla conta que, após embarcar no navio, foi para a área da piscina e presenciou algo que inicialmente interpretou como um fenômeno celeste. "Nossa, é a terceira estrela cadente", pensou ela ao ver várias luzes em sequência no céu noturno. Foi então que um salva-vidas brasileiro que trabalhava no local a alertou: aquelas luzes eram na verdade mísseis sendo interceptados no ar.
"Ele falou: isso aí é míssil e ele vai ser interceptado. E a gente via aquilo igual uma bola de fogo no céu, e depois aqueles estilhaços", relatou Carla ao g1. A brasileira, que possui mais de 900 mil seguidores no Instagram sob o perfil Carla Albuquerque Gentennn, confessou: "A gente é brasileiro, estamos acostumados com muita coisa, bala perdida, tiro, mas eu não sabia o que era um míssel".
Alertas em árabe e confinamento no navio
Na madrugada de domingo, 1º de maio, por volta das 00h31, os passageiros começaram a receber mensagens de alerta em seus celulares. Algumas chegavam em árabe, outras em inglês, todas com a mesma orientação: buscar abrigo imediatamente. O capitão do cruzeiro explicou que se tratava de uma mensagem padrão do governo, mas a tensão tomou conta de todos a bordo.
"A gente recebeu, cada um em seu celular. Na hora, todos ficaram tensos, entrando nas cabines, preocupados", descreveu Carla. O cruzeiro foi imediatamente cancelado e a orientação oficial era que todos permanecessem dentro do navio, que seguiu atracado no porto de Dubai por questões de segurança.
Estrondo e fumaça intensa na manhã de domingo
Por volta das 10h58 da manhã de domingo (03h58 no horário do Brasil), os passageiros ouviram um barulho forte vindo do céu. Segundos depois, um estrondo ensurdecedor ecoou, seguido por uma intensa fumaça que se espalhou pela cidade. Carla registrou o momento de dentro do navio.
"O cruzeiro está atracado de frente para a cidade. A gente ouviu o barulho, como se fosse um avião voando baixo, olhamos para o céu, mas não era visível. Segundos depois, ouvimos o estrondo e vimos aquela fumaça", explicou a nutricionista. Ela não soube precisar exatamente o que havia sido atingido, mas observou que posteriormente a fumaça parecia estar controlada.
Reflexões sobre a vida e anseio por voltar ao Brasil
A experiência trouxe profundas reflexões para Carla: "Essas coisas nos fazem refletir muito como é a vida. Estamos vivos e, em segundos, podemos estar mortos". Apesar das atividades de distração organizadas dentro do navio, como aulas de dança e refeições servidas normalmente, a brasileira não esconde seu desejo de retornar ao país de origem.
"Estão tentando distrair a gente o tempo todo. Mas eu estou doida para voltar para o Brasil", afirmou. A previsão de retorno seria para o sábado, 7 de março, desde que o espaço aéreo seja reaberto. Enquanto isso, Carla e os demais passageiros seguem confinados no porto de Dubai.
Decisão de segurança mantém navio atracado
A decisão de manter o navio atracado foi tomada por questões de segurança estratégica. "Se a gente ficar no mar, se torna um alvo mais fácil", explicou Carla. A situação se complica ainda mais pelo fechamento do canal pelo Irã, impedindo tanto a saída quanto o retorno para casa, já que o aeroporto também está fechado.
A nutricionista revelou que só comprou o pacote de viagem após extensa pesquisa sobre a segurança de Dubai e conversas com amigos que já haviam feito o mesmo circuito turístico. "Eu nunca tinha viajado para esse lado de cá e aconteceu isso", lamentou, destacando o contraste entre suas expectativas iniciais e a realidade que enfrentou.



