Câmara dos EUA recomenda indiciar Bill e Hillary Clinton por desacato criminal
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira 21 de janeiro de 2026, duas resoluções que recomendam declarar o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, em desacato criminal ao Congresso. A medida surge após o casal não comparecer a depoimentos relacionados à investigação sobre as conexões entre figuras poderosas americanas e o financista Jeffrey Epstein.
Desafio às intimações e possíveis consequências legais
O crime de desacato criminal pode resultar em multas de até US$ 100 mil, aproximadamente R$ 532 mil, ou até um ano de prisão. Bill e Hillary Clinton faltaram a audiências a portas fechadas no Capitólio, em Washington, que fazem parte da investigação sobre Epstein, condenado por chefiar uma rede de exploração sexual de mulheres, muitas delas menores de idade, e que cometeu suicídio na prisão.
Com a recomendação, os deputados deram sinal verde para que o plenário decida se encaminha o caso ao Departamento de Justiça, responsável pela palavra final sobre uma eventual acusação criminal. O presidente do comitê, o republicano James Comer, afirmou que ambos desafiaram deliberadamente intimações legais e bipartidárias.
Acusações de política partidária e resposta dos Clinton
Em uma carta endereçada a Comer, os Clinton acusaram o republicano de tentar desviar o foco das falhas do governo de Donald Trump em torno do caso Epstein. Eles afirmaram já ter tentado fornecer as poucas informações que possuíam para auxiliar na investigação e destacaram que o comitê intimou oito pessoas, dispensando sete sem que nenhuma delas dissesse uma palavra.
Não há explicação plausível para o que o senhor está fazendo além de política partidária, dispararam na carta. O casal também criticou o fato de que, desde o início da investigação no ano passado, apenas duas pessoas foram entrevistadas.
Contexto do caso Epstein e pressão sobre o governo Trump
O caso Epstein voltou aos holofotes após campanhas para que o governo divulgasse todos os documentos ligados ao financiador, uma figura da alta sociedade nova-iorquina acusada de explorar sexualmente mais de mil mulheres e meninas. Em julho de 2025, o comitê aprovou por unanimidade a intimação de dez pessoas, incluindo os Clinton, para depor sobre os crimes de Epstein e sua co-conspiradora Ghislaine Maxwell.
Os depoimentos do casal foram remarcados várias vezes, mas nenhum dos dois compareceu às intimações finais. O governo Trump está sob pressão depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma pequena parte dos arquivos do caso Epstein, um mês após o prazo legal ter expirado.
O caso gerou desgaste para a Casa Branca, que tem sido acusada de tentar desviar a atenção realizando investigações e campanhas difamatórias contra democratas, incluindo os Clinton, que são acusados de terem participado da rede de Epstein.