Aiatolá Alireza Arafi assume como líder supremo interino do Irã após morte de Khamenei
O aiatolá Alireza Arafi foi designado neste domingo (1º) como líder supremo interino do Irã, um dia depois da morte do aiatolá Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos. A informação foi divulgada por agências estatais iranianas e confirmada oficialmente por Mohsen Dehnavi, porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado.
Estrutura de transição e responsabilidades
Além de assumir temporariamente a posição mais alta da hierarquia política e religiosa do país, Arafi também foi escolhido para chefiar o Conselho interino de liderança, órgão responsável por conduzir o processo que definirá o próximo líder supremo. Dehnavi declarou em publicação na rede X: "O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança".
Segundo o porta-voz, o conselho interino — que também será composto pelo presidente da República, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei — ficará encarregado de administrar o país até que a Assembleia dos Peritos "eleja um líder permanente o mais rápido possível".
Contexto da morte de Khamenei e formação do grupo provisório
A mudança no comando do país ocorre após a morte de Ali Khamenei, que foi atingido em um bombardeio coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o complexo presidencial onde se encontrava, na madrugada de sábado (28), no horário de Brasília. Embora o ataque tenha ocorrido nas primeiras horas do dia, a confirmação oficial da morte só foi divulgada pelo governo iraniano horas depois, já no final da noite.
Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou hoje, às 05h00 locais, em lágrimas, a morte do aiatolá. A escolha de Arafi ocorreu poucas horas depois da formação de um grupo provisório com três altas autoridades, inicialmente nomeadas para conduzir interinamente os assuntos do Estado. Posteriormente, Arafi foi indicado como a principal figura desse arranjo temporário.
Histórico do regime teocrático iraniano
Desde a Revolução Islâmica de 1979, quando os aiatolás derrubaram a monarquia do Xá Reza Palévi, o Irã passou a adotar um regime teocrático. Nesse modelo de governo, a autoridade política está diretamente ligada à liderança religiosa ou fundamentada em preceitos religiosos.
Com a nova estrutura estabelecida após a revolução, o cargo mais elevado do país tornou-se o de Líder Supremo, concentrando amplos poderes tanto no campo político quanto no religioso. Até hoje, apenas duas pessoas ocuparam essa função:
- O aiatolá Khomeíni exerceu o posto desde a criação da República Islâmica até sua morte, em 1989.
- Na sequência, Ali Khamenei assumiu o cargo, permanecendo nele até sua morte recente.
Poderes do Líder Supremo e papel do presidente
Embora o Irã também tenha um presidente eleito, é o Líder Supremo quem detém a autoridade máxima. A escolha desse dirigente cabe a um colegiado de clérigos islâmicos, responsáveis por selecionar, supervisionar e, se necessário, destituir o ocupante do cargo.
Entre as atribuições do Líder Supremo estão:
- A definição da política externa.
- A supervisão do Parlamento.
- A nomeação do comandante da Guarda Revolucionária.
- A indicação dos principais representantes do Judiciário.
Já o presidente concentra sua atuação sobretudo na condução das políticas econômicas e na gestão de assuntos internos. Ele é eleito por voto direto, mas todos os candidatos precisam passar pela aprovação prévia do Líder Supremo antes de disputar o pleito.
O processo de transição agora liderado por Arafi marca um momento histórico para o Irã, com o conselho interino trabalhando para garantir estabilidade até a eleição de um novo líder supremo permanente.



