Alcolumbre antecipou derrota de Messias e acirra tensão com governo Lula
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, demonstrou domínio sobre o placar da votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em áudio captado pelo microfone da Mesa Diretora, Alcolumbre confidenciou ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner, sua previsão: “Acho que vai perder por oito”. A declaração ocorreu instantes antes da proclamação oficial do resultado.
Previsão quase exata
O cenário antecipado por Alcolumbre contribui para a desconfiança do Executivo de que o placar teve a influência do senador amapaense, que teria articulado a derrota de Messias. A previsão errou por apenas um voto: Messias obteve 34 votos favoráveis, insuficientes para os 41 necessários, enquanto 42 senadores votaram contra. O resultado evidencia a capacidade de Alcolumbre de mapear o humor do plenário e reforça as suspeitas de que ele atuou ativamente para barrar a indicação do ex-advogado-geral da União.
Repercussão política
A derrota de Messias representa um revés significativo para o governo Lula, que apostava na aprovação do indicado. A articulação de Alcolumbre, tida como decisiva, acirra a tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Especialistas apontam que o episódio pode impactar futuras votações de interesse do Executivo, especialmente em pautas que exigem apoio do Senado. A oposição, por sua vez, comemorou o resultado como uma vitória contra o que chamou de “aparelhamento” do STF.
Contexto da indicação
Jorge Messias, até então chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), foi indicado por Lula para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria de um ministro do STF. Sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi marcada por questionamentos sobre sua atuação à frente da AGU e sua proximidade com o governo. A rejeição pelo plenário do Senado foi a primeira derrota de uma indicação presidencial ao STF desde o governo Dilma Rousseff.



