Um debate interno no Partido dos Trabalhadores (PT) coloca em pauta a formação da chapa para a disputa presidencial de 2026. Lideranças da legenda defendem a hipótese de uma chapa puro-sangue, composta apenas por filiados ao partido, na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Preocupação com a idade e o futuro político
A motivação principal para a discussão é a idade avançada do presidente, que completou 80 anos em outubro de 2025. Em reuniões recentes, petistas expressaram cautela sobre os riscos de ter um candidato tão idoso à frente do país por mais quatro anos. O tema ganhou ainda mais força após um editorial da revista britânica The Economist, em dezembro de 2025, que defendeu que Lula desistisse da reeleição por esse motivo.
Além da questão etária, há um trauma político recente que pesa na análise. Lideranças citam o episódio envolvendo o ex-presidente Michel Temer, que assumiu após um impeachment e governou com uma agenda distante do partido que o levou à vice-presidência. O receio é de que uma sucessão fora do PT, em caso de vacância, possa desvirtuar o projeto político em curso.
Haddad na mira para vice, mas Lula tem outros planos
O nome mais cotado pelos defensores da chapa pura para assumir a vice-presidência é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A ideia é que, sendo um nome petista de confiança e com trajetória própria, ele garantiria a continuidade do projeto em qualquer cenário.
No entanto, o presidente Lula tem uma visão diferente. Publicamente, ele já sinalizou que pretende manter o atual vice, Geraldo Alckmin, ex-tucano que hoje está no PSB. "Time que está ganhando não se mexe", disse o petista em conversas recentes.
Os planos de Lula para Haddad são outros. O presidente quer que seu ministro se concentre no cenário eleitoral de São Paulo. Em reunião realizada na semana de 17 de janeiro de 2026, Lula orientou que Haddad dispute uma vaga no Senado caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busque a reeleição. Se Tarcísio resolver concorrer à Presidência, a missão de Haddad seria então candidatar-se ao governo do estado, mirando o Palácio dos Bandeirantes.
A pressão externa e o debate sobre envelhecimento no poder
A discussão sobre a idade de Lula ultrapassou as fronteiras do partido e do país. O editorial da The Economist foi incisivo ao argumentar que, "apesar de todo o talento político, é simplesmente arriscado para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos". A publicação ainda afirmou que "carisma não é escudo contra o declínio cognitivo".
A revista fez um paralelo entre a situação de Lula e a do ex-presidente americano Joe Biden, que enfrentou críticas similares e acabou desistindo da disputa pela reeleição meses antes das eleições nos Estados Unidos. O caso internacional serve como um ponto de reflexão para o cenário político brasileiro.
Embora Lula já tenha confirmado publicamente sua candidatura à reeleição, a definição formal de sua chapa e a resposta às preocupações internas e externas sobre sua idade são os próximos capítulos desta disputa que já começa a esquentar no Planalto.