PSD chega às eleições de 2026 como maior partido de prefeitos e busca viabilizar terceira via
PSD busca terceira via em 2026 com maior número de prefeitos do país

PSD se fortalece como maior partido de prefeitos e mira terceira via para 2026

Completando 15 anos desde sua fundação em 2011, o Partido Social Democrático (PSD) chega às eleições de 2026 com o maior número de prefeitos do país e uma estratégia clara: viabilizar uma terceira via capaz de romper com a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A legenda, que surgiu há pouco mais de uma década, consolidou-se rapidamente como quarta maior força política nacional já nas eleições municipais de 2012.

Trajetória pragmática e presença em múltiplos governos

Sob o comando de Gilberto Kassab, o PSD demonstrou desde cedo seu caráter pragmático. Foi o primeiro partido a anunciar apoio à reeleição da então presidente Dilma Rousseff, mas também apoiou seu impeachment em 2016. Essa flexibilidade estratégica permitiu que a sigla integrasse governos de diferentes matizes ideológicos: participou das gestões de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, mantendo hoje três ministérios na Esplanada dos Ministérios sob o governo Lula.

Além disso, Kassab atua como secretário de governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, demonstrando a capacidade do partido de estabelecer alianças variadas. Desde 2018, o PSD tem se apresentado sistematicamente como alternativa para quebrar a polarização entre direita e esquerda, protagonizada principalmente por PL e PT.

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Força eleitoral crescente e pré-candidaturas presidenciais

Nas eleições municipais de 2024, o PSD alcançou resultado histórico: elegeu 891 prefeitos, tornando-se o partido com maior número de chefes do executivo municipal no país. Atualmente, com as últimas filiações, a legenda também detém o maior número de governadores: Ratinho Junior (PR), Raquel Lyra (PE), Fábio Mitidieri (SE), Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO).

Três desses governadores – Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado – disputam a indicação para candidato à Presidência da República pelo PSD. O nome deve ser anunciado até 25 de março, com tendência atual apontando para Ratinho Junior como escolhido para tentar romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) mostra que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados numericamente, ambos com 41% das intenções de voto no cenário de segundo turno. É a primeira vez na série histórica que os dois candidatos alcançam esse equilíbrio numérico.

Crescimento legislativo e estratégia de "centro raiz"

O partido também apresenta trajetória ascendente no Legislativo. Elegeu 35 deputados federais em 2018 e 42 em 2022, contando atualmente com 47 parlamentares na Câmara – bancada que tem direito à indicação de um ministro na Esplanada. O deputado que representa os parlamentares hoje é o ministro André de Paula (PSD-PE), chefe da pasta da Pesca e Aquicultura.

No Senado, o partido iniciou a legislatura em 2023 como maior bancada, com 15 membros. Atualmente, ocupa a segunda posição com 14 senadores, atrás somente do PL. O PSD ocupou o espaço que o MDB exercia há alguns anos, assumindo o papel de partido pêndulo que transita entre diferentes alas ideológicas.

Os diretórios estaduais possuem liberdade para formar alianças com objetivo de maximizar a eleição de seus quadros, independentemente de questões ideológicas. Essa flexibilidade permitiu que o partido tivesse Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, como candidato ao governo do estado, enquanto deu aval para a chapa "puro-sangue" do PT na Bahia, encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues.

Pragmatismo como estratégia central

A lógica principal do viés pragmático do partido é aumentar as bancadas na Câmara e no Senado, garantindo maior poder de negociação na próxima legislatura e posicionando-se como partido central na governabilidade do próximo presidente – caso não vença com seu próprio candidato.

Com o enfraquecimento de legendas tradicionais do centro político, como MDB e PSDB, Kassab identificou espaço a ser ocupado no que especialistas chamam de "centro político raiz". Isso conferiu ao partido trânsito tanto no campo da centro-direita quanto da centro-esquerda.

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"Além desse vácuo que o PSD ocupou no centro político, há uma certa habilidade de Gilberto Kassab em fazer mapeamentos regionais e atrair quadros insatisfeitos em suas legendas", explica o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros. "Ele observou o declínio da federação do União Brasil e do PP, por exemplo, com várias disputas regionais, e conseguiu atrair quadros insatisfeitos."

Em Minas Gerais, essa estratégia ficou evidente quando a legenda abriu mão do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para filiar o vice-governador e candidato à sucessão de Romeu Zema (Novo), Matheus Simões. O partido mantém viés pragmático tanto na formulação de alianças quanto na composição programática, garantindo liberdade para fechar acordos regionais sem vinculação a candidatos específicos.

Segundo especialistas e parlamentares, atualmente o grande trunfo do PSD é justamente dar liberdade aos seus quadros na montagem de chapas tanto a nível nacional quanto local, estratégia que tem rendido crescimento constante e posicionado o partido como possível alternativa ao atual cenário de polarização política.