PL recorre ao STF contra decisão que mantém desembargador como governador interino do Rio
PL recorre ao STF contra desembargador como governador interino do Rio

PL recorre ao STF contra decisão que mantém desembargador como governador interino do Rio

O Partido Liberal (PL) ingressou com um pedido urgente junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, solicitando a suspensão imediata da decisão liminar proferida pelo ministro Cristiano Zanin. A medida mantém o desembargador Ricardo Couto, atual presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), no cargo de governador interino do estado até a realização da eleição-tampão, que definirá quem completará o mandato de Cláudio Castro.

Conflito sobre linha sucessória constitucional

O partido argumenta, em sua petição, que a decisão do ministro Zanin viola claramente as regras de sucessão estabelecidas na Constituição estadual fluminense. Segundo o PL, o texto constitucional determina que o futuro presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deve assumir automaticamente o Palácio Guanabara assim que for eleito pelos deputados, sem necessidade de intervenção judicial para manter um magistrado no Executivo.

"As regras de transição do poder existem precisamente para interditar a improvisação institucional nos momentos de crise", afirma o partido em seu recurso. O PL sustenta que o STF não pode "transmudar uma solução emergencial e excepcionalíssima em uma intervenção oblíqua na autonomia dos Poderes", defendendo que a controvérsia sobre o preenchimento definitivo da vacância não justifica ignorar a norma constitucional sobre quem deve exercer a interinidade.

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Interesses políticos e articulação para eleição-tampão

O pedido do Partido Liberal tem como pano de fundo uma articulação política estratégica para promover o nome do deputado Douglas Ruas, candidato oficial do partido para disputar o governo do Rio nas eleições de outubro. O plano do PL inclui eleger Ruas para a presidência da Alerj e, em seguida, posicioná-lo para assumir o mandato-tampão após a eleição extraordinária.

Por essa razão, o partido tem interesse direto em que um deputado eleito pelo voto popular, e não um magistrado de carreira, assuma provisoriamente o governo até a realização do pleito. "Enquanto o Presidente da Assembleia Legislativa detém um mandato conferido pelo povo e uma liderança ratificada por seus pares parlamentares, o Presidente do Tribunal de Justiça é um técnico da lei, cuja função precípua é julgar, não governar", argumenta o PL, destacando questões de legitimidade democrática.

Contexto da crise política no Rio de Janeiro

A situação se desenrola em meio a uma crise política no estado do Rio de Janeiro, após a vacância do cargo de governador. A decisão do ministro Cristiano Zanin, que manteve o desembargador Ricardo Couto como interino, foi tomada como uma medida de estabilidade institucional, mas agora é contestada pelo PL com base em princípios constitucionais e políticos.

O partido enfatiza que a solução emergencial não pode se tornar permanente, defendendo que a autonomia dos Poderes e a vontade popular expressa através dos deputados devem prevalecer. O recurso aguarda agora análise pelo plenário do STF, que decidirá se mantém ou derruba a liminar de Zanin, em um caso que pode definir os rumos da sucessão no estado até a eleição-tampão.

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