O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, deixou oficialmente o cargo nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, em uma cerimônia concorrida realizada no Palácio da Cidade. O vice-prefeito Eduardo Cavaliere, do PSD, assume imediatamente a gestão municipal, enquanto Paes antecipa o fim de seu quarto mandato para se lançar na disputa pelo governo do estado.
Cerimônia de transmissão em clima de pré-campanha
A solenidade de transmissão de cargo foi marcada por um ambiente claramente eleitoral, com a presença de aliados políticos, artistas e líderes religiosos. Paes, que havia jurado publicamente pelo Vasco da Gama e pela Portela – duas de suas grandes paixões – que terminaria a gestão, justificou sua candidatura ao governo como um dever diante do que chamou de "chama do dever cívico".
Em seu discurso, o ex-prefeito não escondeu suas ambições políticas e alertou sobre o que classificou como "crise institucional" no estado do Rio de Janeiro. A cerimônia contou com apresentações musicais de Dudu Nobre, Seu Jorge e Marquinho de Oswaldo Cruz, além de discursos de autoridades religiosas, incluindo o bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, que concedeu sua benção ao prefeito e ao vice.
Articulações para eleição indireta na Alerj
Nos bastidores, Eduardo Paes articula apoio a um aliado na eleição indireta que será realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A votação decidirá quem assumirá o Palácio Guanabara após a saída do governador Cláudio Castro, do PL, que deve anunciar oficialmente sua renúncia até segunda-feira, 23 de março.
O governador Cláudio Castro anunciou pré-candidatura ao Senado e antecipou sua saída em função de processo por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A votação deste processo será retomada na próxima semana, com dois votos já desfavoráveis ao governador.
Desafios eleitorais e cenário político
Paes terá como principal adversário o secretário de Cidades, Douglas Ruas, também do PL. O ex-prefeito, que construiu sua imagem pública como "autêntico carioca", precisará conquistar a simpatia dos eleitores do interior do estado, reconhecidamente mais conservadores, para vencer a disputa.
O apoio do presidente Lula (PT) pode representar um desafio adicional nesta missão, considerando que o Rio de Janeiro é considerado berço do bolsonarismo e que o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve melhor desempenho que o petista nas eleições de 2022. Em seu discurso, Paes agradeceu publicamente a "parceria" do presidente, demonstrando alinhamento político.
Regras da eleição e impedimentos
Uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu que a votação na Alerj deve ser secreta e que só podem concorrer candidatos que tenham se desincompatibilizado de cargos no Executivo há pelo menos seis meses, conforme previsto na Lei de Inelegibilidade para eleições diretas.
Com esta determinação, os principais cotados – Douglas Ruas, Nicola Miccione (secretário de Cláudio Castro) e André Ceciliano (secretário do governo Lula) – ficaram impedidos de concorrer à sucessão. Enquanto isso, o grupo do governador Cláudio Castro se movimenta para emplacar Ruas como presidente da Alerj, além de apoiar um aliado na eleição indireta.
Compromissos com a região metropolitana
Em sua fala de despedida, Eduardo Paes fez um aceno estratégico aos moradores da Baixada Fluminense, que concentra a maior fatia do eleitorado fora da capital, ao prometer integrar a região metropolitana com o Rio de Janeiro. Esta promessa visa ampliar sua base eleitoral além dos limites municipais.
A cerimônia de transição reuniu autoridades dos Três Poderes e misturou elementos culturais cariocas com manifestações religiosas, refletindo a complexa teia política que caracteriza o momento de transição no estado. Paes citou em seu discurso tanto passagens bíblicas quanto trechos de canções populares, demonstrando sua habilidade em conectar-se com diferentes segmentos da sociedade.



