Oposição na Alerj ameaça boicote se votação para presidência não for secreta
Oposição na Alerj ameaça boicote se votação não for secreta

Oposição na Alerj ameaça boicote se votação para presidência não for secreta

Dirigentes de partidos de oposição ao PL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se reuniram na manhã desta quinta-feira, 16 de abril de 2026, para definir a estratégia para a votação de amanhã à presidência da Casa. Em uma nota pública divulgada logo após o encontro, nove partidos – PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV – defendem o voto secreto para o cargo e afirmam que seus parlamentares irão se retirar do plenário caso a votação seja aberta.

Para o grupo, “sem o voto secreto, a eleição se torna um jogo de cartas marcadas”. O comunicado acrescenta: “Diante disso, reafirmamos que o voto fechado é a medida adequada para assegurar liberdade, independência e proteção institucional aos parlamentares. Só assim será possível a realização de eleições limpas para o próximo Presidente da ALERJ. Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto”.

Articulação para candidato único e disputa judicial

A oposição se articula para lançar um candidato único. O nome escolhido é o de Vitor Junior (PDT), recebido pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato a governador, no começo da semana. O aval de Paes era considerado fundamental para a candidatura. O PSOL vinha participando das negociações na Alerj, mas não assina a nota e deve lançar um candidato próprio.

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Contando com os psolistas, a frente calcula ter entre 25 e 27 votos. São necessários 36 para eleger o presidente, e o nome do PL – maior bancada na Casa – segue sendo Douglas Ruas, pré-candidato ao governo. Ele conta com apoio do PP e do União Brasil. A expectativa dos adversários é a de que ele possa perder votos numa eleição secreta.

Mas o formato depende, principalmente, de uma decisão da Justiça. O PSD ajuizou a ADI nº 7942 no STF, sustentando a adoção do voto fechado em eleições indiretas para governador. E o PDT impetrou mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Rio voltado para assegurar o voto secreto no processo eleitoral da Alerj.

Manifesto defende voto fechado como proteção constitucional

“É inequívoco que o voto aberto, nas circunstâncias atuais, afronta a Constituição, ao expor parlamentares a pressões, coações e eventuais retaliações. O voto fechado, ao contrário, garante a liberdade de escolha do parlamentar, protegendo a independência dos parlamentares e, por consequência, do próprio Poder Legislativo fluminense. Desde o início, temos atuado pública e judicialmente em defesa desse entendimento”, afirma o manifesto, dizendo que a eleição na Casa reproduz “as mesmas peculiaridades” de uma eleição indireta para governador.

A nota conclui dizendo que em votação secreta o nome a disputar pelo grupo é realmente Vitor Junior. No dia 26 de março, o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), convocou às pressas a eleição, pegando os parlamentares de surpresa. A sessão relâmpago elegeu Ruas, mas foi suspensa no mesmo dia pela Justiça do Rio após o PDT entrar com ação.

O plano do PL era garantir Ruas na linha sucessória a governador. O tema, no entanto, foi parar no STF. Enquanto não houver definição, o desembargador Ricardo Couto é quem comanda o estado. A disputa política na Alerj continua acirrada, com a oposição firmando posição contra o que considera um processo eleitoral viciado e pressionando por transparência e liberdade de voto.

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