Histórico desafia vaticínio de Flávio Bolsonaro sobre Lula
Histórico desafia vaticínio de Flávio Bolsonaro sobre Lula

Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) representa o fim do governo Lula. “Há um clima de fim de festa na Praça dos Três Poderes”, afirmou o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O veto a Messias configura, de fato, uma derrota histórica para Lula. Há mais de 130 anos, os senadores aprovavam todas as indicações presidenciais para o STF. A quebra dessa tradição decorre de múltiplos fatores, entre os quais, segundo a oposição, a percepção de que o poder está migrando do petista para Flávio Bolsonaro, que aparece empatado com o presidente nas simulações de segundo turno. O Senado, formado por políticos experientes, teria captado essa mudança e barrado Messias, deixando a vaga para o próximo presidente eleito em outubro.

Histórico recomenda cautela

Flávio Bolsonaro cumpre seu papel ao celebrar a vitória. Faz parte do jogo político. No entanto, a história recente mostra que a oposição já decretou o fim político e eleitoral de Lula em outras ocasiões, e ele conseguiu resistir e se reerguer.

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No primeiro mandato do petista, após a revelação do escândalo do mensalão, PSDB e PFL concluíram que não era necessário propor impeachment, pois Lula “sangraria” publicamente, perderia apoio e seria derrotado nas urnas. Erraram feio: Lula se reelegeu em 2006.

Situação semelhante ocorreu após a prisão de Lula na Operação Lava-Jato. Ele ficou 580 dias encarcerado e foi dado como carta fora do baralho eleitoral. Mas, graças a uma reviravolta jurídica, recuperou a liberdade, os direitos políticos e o mandato em 2022, tornando-se o único brasileiro a conquistar três vezes a Presidência.

Como diz a sabedoria popular, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Saltos altos também não, especialmente diante de um político que, independentemente do mérito de suas ações, renasceu das cinzas e superou adversários após reveses muito mais graves do que a rejeição de um indicado ao STF.

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