Flávio Bolsonaro pede união da direita após farpas públicas e defende palanque com Michelle e Tarcísio
Flávio Bolsonaro pede união da direita após embates

Em meio a uma série de desentendimentos públicos entre figuras proeminentes da direita brasileira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um apelo por união neste sábado. O parlamentar, que é pré-candidato declarado à Presidência da República em 2026, publicou um vídeo nas redes sociais pedindo que seus aliados superem as diferenças e foquem no objetivo comum de derrotar a esquerda.

Apelo público por conciliação

No vídeo, Flávio Bolsonaro questionou como seria possível unir o Brasil se a própria direita não consegue se unir primeiro. "Não caia em pilha errada", alertou o senador, em uma mensagem direcionada aos seus eleitores e apoiadores. Ele elogiou nominalmente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também convocou seus seguidores a manter as críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Paralelamente, ele voltou a defender publicamente o pai, que está preso desde agosto do ano passado, acusado de tentativa de golpe de Estado.

Crises recentes no bolsonarismo

O apelo por união ocorre após dias de tensões abertas entre aliados. A transferência de Jair Bolsonaro da sede da Polícia Federal para a carceragem da Papudinha, na quinta-feira (15), expôs divisões entre seus apoiadores e gerou um embate público entre correligionários de Flávio Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas.

Na sexta-feira (16), Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem pedindo que aliados não a julgassem. A publicação ocorreu no mesmo dia em que foi revelada uma conversa entre ela e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, horas antes da transferência do marido. "Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa", declarou a ex-primeira-dama.

Farpas e reconciliação

Os atritos não são novos. O bolsonarismo vive uma série de embates públicos desde que o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar, em agosto de 2023. Após Jair Bolsonaro indicar Flávio como seu candidato à sucessão presidencial, lideranças da direita têm oscilado entre apoiá-lo ou criticá-lo, muitas vezes defendendo outros nomes, com destaque para Tarcísio de Freitas.

Na última quarta-feira (14), Michelle Bolsonaro publicou um vídeo do governador de São Paulo para defendê-lo de cobranças de bolsonaristas por um apoio mais incisivo à candidatura de Flávio. No dia seguinte, o senador foi questionado sobre a possibilidade de Michelle também concorrer ao Planalto e respondeu com uma indireta, afirmando que "nunca costurei, nunca procurei, não rodei o Brasil por isso" para ser candidato.

Michelhe realizou diversas viagens pelo Brasil à frente do PL Mulher, cargo do qual se licenciou logo após o anúncio da candidatura de Flávio. Pouco depois, Tarcísio publicou um vídeo criticando o PT, e sua esposa, Cristiane, comentou a postagem sugerindo que o Brasil precisava de "um novo CEO, meu marido", interpretado como um aceno presidencialista e uma crítica velada a Flávio. Posteriormente, o governador paulista minimizou a situação, afirmando não ter projeto de concorrer à Presidência e que busca a reeleição no estado.

Projeção para 2026

No vídeo deste sábado, Flávio Bolsonaro pediu calma aos eleitores e antecipou que um palanque conjunto com Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr (PSD-PR), Romeu Zema e Ronaldo Caiado vai acontecer, mas "no momento certo". Ele reforçou a importância estratégica de cada um: "O Tarcísio é um aliado fundamental, a Michelle tem um papel importantíssimo".

O senador finalizou pedindo que seus eleitores evitem atacar outros políticos da direita, argumentando que isso apenas fortalece a esquerda. "Vamos colocar nossas diferenças menores um pouco de lado. Vamos focar naquilo que nos une", concluiu, tentando acalmar os ânimos e projetar uma frente ampla para a disputa eleitoral de 2026.