O Corinthians tem enfrentado sérias dificuldades em suas operações comerciais e financeiras por conta de investigações conduzidas pelo Ministério Público (MP) que apuram supostas irregularidades envolvendo o clube em gestões passadas e na atual. De acordo com apuração do UOL, os inquéritos relacionados à instituição, incluindo a possibilidade de intervenção judicial, têm travado negociações com empresas e instituições bancárias.
Impacto nas negociações
Em diversos casos, as tratativas foram barradas nos setores de compliance de bancos e potenciais parceiros devido ao histórico de investigações. Internamente, a diretoria considera o cenário prejudicial à tentativa de captação de recursos. Segundo apuração do UOL, os impactos já são sentidos no curto prazo.
O Corinthians tem recorrido a uma série de operações financeiras e contratações de crédito para equilibrar o fluxo de caixa e manter em dia compromissos como salários, além de acordos ligados à CNRD, ao RCE e à Fazenda. O clube, porém, não tem conseguido avançar em muitas delas.
Novas execuções de dívida
Nas últimas semanas, o Corinthians foi surpreendido por novas execuções de dívida. A mais recente partiu do Philadelphia Union, dos Estados Unidos, referente à maior parte do pagamento pela contratação do volante José Martínez, realizada durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo. O jogador teve o contrato rescindido no início desta temporada por problemas extracampo.
O UOL apurou que a punição aplicada pela Fifa, que impede o Corinthians de registrar jogadores pelas próximas três janelas, ou até que haja acordo de pagamento com o credor, pegou parte da diretoria de surpresa. Ao mesmo tempo, o clube corria contra o tempo para buscar alternativas financeiras e evitar uma nova sanção, desta vez relacionada ao Midtjylland, da Dinamarca, em débito referente à contratação do volante Charles, feita no meio de 2024, também na gestão Augusto Melo.
Negociações em aberto
Além dos casos envolvendo Philadelphia Union e Midtjylland, o Corinthians ainda mantém negociações abertas com o Talleres por pendências no pagamento da contratação do meia Rodrigo Garro, concretizada no início de 2024. Assim, o clube convive atualmente com três situações que podem resultar em transfer ban.
Estratégia da diretoria
Diante do cenário, a ideia do presidente Osmar Stabile é se articular nos bastidores e buscar diálogo com autoridades do Ministério Público, especialmente com o promotor Cassio Roberto Conserino, responsável pela maior parte das investigações envolvendo o clube. O UOL apurou que Stabile também tem procurado pessoas próximas ao ambiente político do Corinthians, inclusive integrantes da oposição, para reforçar a imagem de lisura da atual gestão e o trabalho conduzido em busca do pagamento de dívidas e do saneamento financeiro.
O dirigente, porém, não tem obtido êxito pela falta de consistência nesses contatos e ausência de sinalizações mais concretas de mudanças administrativas. Há ainda preocupação interna com a possibilidade de intervenção judicial, principalmente após o recurso do Corinthians ter sido negado e o processo investigatório retomado pelo MP.
Próximos passos
Na próxima semana, o inquérito civil relacionado à possibilidade de intervenção será retomado pela 1ª Promotoria do Patrimônio Público de São Paulo. Conforme apurou o UOL, já há oitivas de ex-dirigentes agendadas, e o trabalho será conduzido em conjunto com a Promotoria Criminal para que as investigações se complementem.



