Alerj avança para eleger novo presidente apesar de oposição tentar adiar decisão
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) segue com planos de eleger seu novo presidente sem aguardar que o Supremo Tribunal Federal (STF) defina o formato da eleição para governador do estado. A maioria dos partidos na casa defende que as eleições internas sejam realizadas com brevidade, possivelmente ainda nesta semana, enquanto a oposição tenta adiar o processo.
Reunião do colégio de líderes define rumos
O colégio de líderes se reuniu nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, para debater como e quando ocorrerá a sucessão na presidência da Alerj. Deputados da base do ex-governador Cláudio Castro (PL), que formam a maioria na Assembleia, querem definir logo a questão e são contra deixar o comando da casa acéfalo por tempo indefinido. Eles argumentam que o imbróglio é prejudicial para a imagem da instituição legislativa.
Apesar dos apelos da oposição para segurar o processo, o deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente interino da Alerj, sinalizou que vai seguir a maioria e não pretende demorar para convocar a votação. A Mesa Diretora da Assembleia vai se reunir nesta quinta-feira para definir uma data concreta para a eleição.
Contexto político e judicial complexo
A presidência da Assembleia do Rio ficou desocupada com a cassação do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União) no mesmo julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que deixou o ex-governador Cláudio Castro (PL) inelegível. O cargo se tornou objeto de cobiça porque, com o estado sem governador, o presidente da Alerj assumiria automaticamente o Palácio Guanabara.
No entanto, uma decisão liminar do STF determinou que o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, deve permanecer no comando do Executivo estadual até segunda ordem. Este cenário jurídico cria um ambiente de incerteza que a oposição busca explorar para adiar a eleição na Alerj.
Primeira eleição anulada e nova tentativa
No mês passado, os deputados realizaram uma eleição para a presidência, mas a votação foi anulada no mesmo dia pela Justiça, que considerou que a decisão só poderia ser tomada quando o novo parlamentar, que vai assumir o mandato de Bacellar, for empossado. A Justiça Eleitoral homologou na terça-feira a retotalização dos votos, definindo o destino da cadeira do ex-deputado.
Essa era a última pendência no caminho da Alerj para organizar uma nova eleição para a direção da Casa Legislativa. A primeira eleição foi convocada a partir de uma manobra do PL para colocar o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato a governador, na cadeira da presidência. Nos planos do partido, ele seria o sucessor natural do Palácio Guanabara e poderia fazer a campanha eleitoral com a caneta na mão.
Oposição mantém resistência e busca apoio judicial
Com a intervenção do STF, o cenário político mudou significativamente. Depois de convocar a eleição-relâmpago que acabou anulada judicialmente, Delaroli foi aconselhado a ter cautela e a aguardar o tempo da Justiça. Partidos de oposição divulgaram uma nota nesta terça-feira em que afirmam que "está configurada inviabilidade jurídica, legal e institucional" para as eleições na Alerj neste momento.
"Esta frente partidária reafirma o compromisso com a Constituição, com as decisões do STF e com a necessidade de aguardar a conclusão do julgamento para garantir a segurança jurídica e a estabilidade institucional", diz a manifestação conjunta. O deputado Luiz Paulo (PSD), decano da Assembleia Legislativa, acionou a Justiça para impedir a votação imediata, mas até o momento não houve decisão sobre o pedido.
O impasse político-jurídico continua enquanto a maioria na Alerj pressiona por uma solução rápida para a vacância na presidência da casa, um cargo que ganhou importância estratégica adicional devido à situação de interinidade no governo estadual.



