O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, alertou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em três ocasiões distintas, durante encontros privados, de que o advogado-geral da União, Jorge Messias, não possuía votos suficientes para ser aprovado como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula, no entanto, considerou os avisos como blefe e acabou sofrendo uma derrota significativa no Legislativo.
O processo de escolha
Alcolumbre iniciou o processo de seleção do substituto de Luís Roberto Barroso no STF mais alinhado a Lula do que ao final. Ele defendia o nome de Rodrigo Pacheco como uma escolha conjunta, representando tanto o presidente quanto o Parlamento. Lula, porém, optou por Messias e determinou que o ministro Jaques Wagner divulgasse uma conversa privada entre Lula e Alcolumbre. Esse episódio gerou tensão na relação entre os dois, mas eles continuaram a dialogar em momentos pontuais.
A estratégia de Lula
O petista acreditava que o poder da máquina governamental, com liberação de cargos e verbas, seria suficiente para garantir a aprovação de seu terceiro indicado ao STF no mandato atual. Alcolumbre, por sua vez, tentou atrasar o processo, sempre alertando para o risco de derrota. Lula, mesmo sem se envolver diretamente nas articulações, optou por não dar ouvidos aos conselhos.
Fatores da derrota
Além das conspirações contra Messias, o escolhido de Lula pagou pela forma errática como o governo conduziu o processo. No dia da votação, nem ministros de Lula nem parlamentares da base governista tinham um mapa real dos votos. Alcolumbre, ciente do que ocorreria, manteve-se distante diante da postura do Planalto e dos vazamentos de uma conversa sua com Messias na casa do ministro Cristiano Zanin. Em determinado momento, passou a trabalhar pela derrota de Messias como forma de consolidar um período de negociações distantes com Lula.
O preço para aprovar Messias, em termos de compartilhamento de poder na máquina — como cargos de comando em estatais importantes — era alto, e Lula não quis pagar. A derrota no Senado reflete a falta de articulação política e a resistência do governo em ceder espaço no Legislativo.



