Trump rejeita resposta iraniana e agrava crise diplomática
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio, aumentando as incertezas sobre as negociações por um acordo de paz. Em sua plataforma Truth Social, Trump escreveu: 'Acabei de ler a resposta dos chamados representantes do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL', sem fornecer detalhes sobre o conteúdo.
Proposta iraniana inclui exigências abrangentes
Mais cedo, a agência estatal iraniana Irna informou que Teerã enviou uma resposta aos EUA por meio do Paquistão, que atua como mediador. Segundo a imprensa local, o Irã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelos EUA, garantias de que não haveria mais ataques e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições à venda de petróleo iraniano.
O jornal The Wall Street Journal, citando autoridades não identificadas, informou que o Irã também propôs diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. Além disso, Teerã exigiu compensação pelos danos causados na guerra. A proposta inicial dos EUA previa a interrupção dos combates antes de negociar temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.
Contexto de pressão e tensão regional
As negociações ocorrem sob pressão para Trump conter a crise antes de sua viagem à China, prevista para quinta-feira (14), onde se encontrará com o presidente Xi Jinping. Trump deve pressionar os chineses a ajudarem a conter o conflito. Os EUA enfrentam dificuldades para ampliar o apoio externo: países da Otan recusaram enviar navios para ajudar na reabertura do estreito de Hormuz sem um acordo de paz abrangente.
Apesar de um cessar-fogo parcial, drones foram detectados neste domingo sobre vários países do Golfo. Os Emirados Árabes Unidos interceptaram dois drones vindos do Irã. O Qatar informou que um cargueiro de Abu Dhabi foi atingido por um drone em suas águas. O Kuwait acionou suas defesas aéreas contra aeronaves não identificadas. Ainda assim, um navio da QatarEnergy atravessou o estreito de Hormuz em segurança, o primeiro desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A travessia foi autorizada pelo Irã como gesto de confiança ao Paquistão e ao Qatar.
Declarações de Trump e Netanyahu
Em entrevista à jornalista Sharyl Attkisson, Trump afirmou que levaria duas semanas para atacar 'todos os alvos restantes' no Irã e declarou que o país já estava 'militarmente derrotado'. Segundo ele, os EUA atingiram cerca de 70% dos alvos prioritários. Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que a guerra 'não terminou', pois o Irã ainda mantém material nuclear enriquecido e instalações que precisam ser desmanteladas.
Impacto no estreito de Hormuz
O estreito de Hormuz, que concentrava 20% do comércio global de petróleo, tornou-se um dos principais focos de tensão. O Irã restringiu fortemente a circulação de embarcações estrangeiras. Apesar disso, um navio graneleiro de bandeira panamenha com destino ao Brasil conseguiu passar pela via marítima usando rota designada pelas Forças Armadas iranianas.



