Trump viaja à China para reunião com Xi em meio a tensões e guerra no Irã
Trump na China: reunião com Xi sob tensão e guerra no Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou em Pequim nesta quarta-feira, 13, para uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping. A visita, marcada por uma recepção pomposa na quinta e sexta-feira, ocorre em um clima de tensão devido a temas sensíveis como Taiwan e o conflito no Oriente Médio.

Conflito no Irã e contradições

Trump inicialmente afirmou que conversaria “longamente” sobre a guerra no Irã, mas depois se contradisse: “Temos muitas coisas a discutir. E eu não diria que o Irã seja uma delas”, disse a jornalistas antes de partir da Casa Branca. Envolvido em um conflito mais longo e complexo do que o previsto com a República Islâmica, o republicano insistiu que não precisa da ajuda chinesa. No entanto, funcionários de seu governo indicaram que haverá pressão sobre Xi para reduzir o apoio e as compras de petróleo iraniano sob sanções. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, pediu que Pequim “intensifique seus esforços diplomáticos”, essencialmente solicitando ajuda na guerra iniciada por Washington.

Primeira visita desde 2017

Esta é a primeira visita de um presidente dos EUA à China desde a viagem de Trump em 2017. O governo chinês deu as boas-vindas oficialmente horas antes da chegada. “A China dá as boas-vindas ao presidente Trump em sua visita de Estado à China”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun. “A China está disposta a colaborar com os Estados Unidos para ampliar a cooperação e administrar as diferenças”, acrescentou.

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Otimismo e competição

Trump afirmou que Xi não causou “problemas” diante do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e disse que “é alguém com quem nos damos bem”. “Acho que ele verá que coisas boas vão acontecer”, completou. Por trás do otimismo, as duas potências travam uma competição feroz nos campos militar, diplomático, tecnológico e econômico. “A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem”, explicou Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council.

Temas de atrito

As vendas de armas dos EUA para Taiwan, o controle das exportações de terras raras pela China e as tarifas alfandegárias são outros pontos de discórdia. A China considera Taiwan parte de seu território e defende uma solução pacífica, mas se reserva o direito de usar a força para a “reunificação”.

Batalhão de CEOs e negociações comerciais

As relações econômicas permanecem tensas, apesar da trégua comercial de um ano concluída em outubro. A imprensa estatal chinesa informou que uma nova rodada de negociações comerciais começou oficialmente na Coreia do Sul, sem detalhes. Trump espera conseguir grandes contratos e promessas de investimento. Ele está acompanhado por executivos de empresas americanas, como Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Kelly Ortberg (Boeing). Trump escreveu nas redes sociais que pedirá a abertura do mercado chinês para “estas pessoas brilhantes possam fazer sua mágica”.

Momentos difíceis para ambos os líderes

O encontro ocorre em um momento difícil para Trump, que enfrenta queda de popularidade e retomada da inflação nos EUA, alimentada pela guerra contra o Irã. Para a China, o momento é incerto devido ao consumo interno fraco e à crise de dívida no setor imobiliário. A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, adiou a viagem, originalmente prevista para março. O conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz complicam ainda mais a relação entre Washington e Pequim.

Mediação e sanções

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu ao Paquistão que “intensifique” os esforços de mediação entre EUA e Irã e contribua para resolver a questão do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio limita o fornecimento de energia e mercadorias à China. Trump tem tentado impedir as compras de petróleo iraniano pela China por meio de sanções, condenadas por Pequim. Outro motivo de discórdia é a assistência militar dos EUA a Taiwan, tema que Trump se mostrou disposto a abordar com Xi.

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