O Fantástico entrevistou duas famílias brasileiras que sobreviveram ao atentado armado nas Pirâmides de Teotihuacán, no México. A frase de Marina, uma das turistas, resume o pavor: “Eu achei que ia morrer naquele momento”. O caso foi destaque na reportagem do programa dominical da TV Globo.
O ataque nas pirâmides
Na segunda-feira anterior, o sítio arqueológico estava lotado quando tiros interromperam a visitação. Um homem armado fez dezenas de turistas reféns no alto da Pirâmide da Lua, disparou várias vezes e ameaçou quem tentava fugir. “Se vocês se mexerem, eu os sacrifico”, gritava o criminoso.
Entre os visitantes estavam Marina e Henrique, que encerravam uma viagem de 18 dias pela América Central e Caribe. O casal escolheu Teotihuacán para o último passeio. Em segundos, a comemoração virou pânico. “A gente estava super feliz”, contou Marina. “É um passeio que a gente também adora fazer juntos”.
Fuga e desespero
Com os tiros, parte dos turistas correu pelas escadarias. Outros se jogaram em níveis mais baixos da pirâmide. Quem não conseguiu escapar se deitou no chão. Henrique explicou: “não tinha como alcançar de onde a gente estava a ponta do platô para descer para o próximo. Então, a gente tinha que se jogar”.
Segundo os relatos, o atirador disparava na direção dos reféns e também para a área abaixo da pirâmide. “Ele atirava tanto nessa nossa direção como também dava tiros para baixo para a cidade arqueológica”, disse Henrique. Marina contou que o homem também carregava uma faca e repetia ameaças: “Que aquilo era a morte. Que a gente ia morrer”.
Momentos de terror
Em meio ao ataque, Marina foi obrigada, sob mira da arma, a cortar uma cerca plástica de isolamento no topo da estrutura. “Eu vou, corto muito rápido”, lembrou. “E ele falando que vai me matar, falando que eu tenho um minuto para fazer aquilo”. Depois, o atirador mandou que ela fosse embora. Henrique permaneceu como refém por mais alguns minutos, até receber ordem para descer e avisar à polícia que havia pessoas presas no alto da pirâmide.
Marina esperou escondida na parte de baixo até reencontrar o namorado. “Foi horrível isso. Foi a pior sensação”, desabafou sobre a separação. Quando Henrique conseguiu escapar, os dois se abraçaram. “Quando a gente se encontra, é muito bom”.
Adolescente baleada
Outra família brasileira também estava no local: Kenia, Maurício e os filhos Letícia e Henrique. Letícia, de 13 anos, foi baleada na perna, mas permaneceu imóvel para não chamar a atenção do criminoso. “Eu sabia que tinha me acertado. Porque foi uma dor, né?”, relatou. O ferimento atravessou a perna, mas não atingiu ossos nem artérias.
O pai só percebeu o ferimento quando conseguiu descer. “Vi que o tênis dela estava sujo de vermelho”, disse o irmão. Com a chegada dos policiais, o atirador subiu para a parte mais alta da pirâmide. Os reféns então aproveitaram para fugir.
Identificação e desfecho
Segundo a versão oficial, ele tirou a própria vida antes de ser atingido. O homem foi identificado como Julio César Jasso Ramírez, de 27 anos. O ataque matou uma turista canadense e deixou 13 feridos, sete deles baleados.
Depois do trauma, Marina e Henrique dizem que decidiram acelerar planos antigos. Entre eles, está o casamento. “Para não deixar mais para depois, sabe? Viver tudo que a gente pode viver.”



