O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, encontrou-se em Teerã nesta sexta-feira, 22, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, para discutir propostas que visam encerrar a guerra no Oriente Médio. A reunião representa um renovado esforço diplomático para reduzir as tensões com Estados Unidos e Israel, em um momento crítico para a região.
Paquistão como mediador
O Paquistão, que mantém boas relações tanto com os iranianos quanto com os americanos — tendo inclusive endossado a candidatura de Donald Trump ao Nobel da Paz, que nunca se concretizou —, emergiu como um mediador chave no conflito. O país desempenhou um papel fundamental na negociação do cessar-fogo temporário anunciado no início de abril. Segundo autoridades iranianas, mensagens continuam sendo transmitidas a Washington por meio do governo paquistanês.
A reunião entre os ministros ocorre dois dias após Naqvi apresentar aos iranianos a última proposta dos Estados Unidos nas negociações. O encontro sinaliza a disposição de ambas as partes em buscar uma solução diplomática para o conflito que já dura meses.
Troca de ameaças
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse a repórteres na quinta-feira, 21, que houve “alguns bons sinais” nas negociações, mas alertou que não haverá solução se Teerã impuser um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz. Essa rota marítima, por onde passa 20% do petróleo consumido no planeta, foi fechada para a maior parte da navegação após o início da guerra em 28 de fevereiro.
Na terça-feira, o presidente Trump voltou a ameaçar retomar ataques ao Irã se não houver logo um acordo “aceitável” para encerrar a guerra de maneira duradoura. O republicano deu um novo ultimato, confuso, afirmando que Teerã teria “dois ou três dias, talvez sexta, sábado, domingo, algo assim, talvez no início da próxima semana” para responder.
Resposta iraniana
As tensões aumentaram quando a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, prometeu estender a guerra “para além” do Oriente Médio caso americanos e israelenses voltem a atacar o país. “Se a agressão contra o Irã se repetir, a guerra regional prometida se estenderá desta vez muito além da região, e nossos golpes devastadores os esmagarão”, afirmou a Guarda em um comunicado publicado em seu site, Sepah News, levantando preocupações sobre a possibilidade de ataques terroristas no exterior por parte dos grupos armados que o Irã financia.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos das negociações, na esperança de que a mediação paquistanesa possa levar a um cessar-fogo duradouro e evitar uma escalada ainda maior do conflito.



