Justiça israelense mantém prisão de ativistas brasileiro e espanhol
Israel mantém prisão de ativistas brasileiro e espanhol

A justiça israelense confirmou, neste domingo, a extensão da prisão dos dois ativistas da Flotilha Global Sumud, detidos ao largo da costa grega. A decisão rejeitou o recurso apresentado pela defesa contra o prolongamento da detenção, conforme informou o advogado dos réus à agência AFP.

Decisão judicial e acusações

O tribunal de Berseba acolheu integralmente os argumentos do Estado israelense, negando o pedido de libertação. O advogado Hadeel Abu Salih, que representa o espanhol Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila, declarou que a corte rejeitou todos os pontos do recurso. Os dois ativistas compareceram ao tribunal para contestar a prorrogação da detenção, que havia sido estendida por mais seis dias na terça-feira anterior.

Na decisão anterior, o juiz do tribunal de Ashkelon, no sul de Israel, classificou o caso como uma "investigação complexa", com indícios que justificam a continuidade do inquérito. O magistrado também mencionou riscos de "interferência e destruição de provas". Embora ainda não tenham sido formalmente indiciados, os dois homens são acusados de vínculos com o movimento islâmico palestino Hamas, configurando "afiliação a uma organização terrorista".

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Defesa nega ligações com Hamas

Saif Abukeshek e Thiago Ávila negam veementemente qualquer conexão com o Hamas. Eles afirmam que o único objetivo da missão era levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, enclave palestino devastado por mais de dois anos de guerra. O governo espanhol também criticou a postura israelense, afirmando que nenhuma evidência concreta foi apresentada para sustentar as acusações. Brasil e Espanha têm reiterado pedidos de libertação dos ativistas.

A advogada Hadeel Abu Salih classificou a prisão como "ilegal", ocorrida em águas internacionais, onde os ativistas teriam sido "raptados" pela marinha israelense sem qualquer autoridade legal. Ela descreveu a decisão judicial como uma "carta branca" que pode legitimar ações similares no futuro, permitindo que Israel "rapte cidadãos internacionais" repetidamente.

Reações internacionais e condições de detenção

A interceptação da flotilha gerou condenação de diversos países, incluindo Itália, Alemanha e Turquia, que tinham nacionais a bordo. Antes da audiência deste domingo, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia pedido a libertação "imediata" e "incondicional" de Thiago Ávila e Saif Abukeshek.

Os dois ativistas foram detidos na última quinta-feira, em águas internacionais, a cerca de 100 quilômetros a oeste da ilha grega de Creta, quando o Exército israelense interceptou aproximadamente metade dos navios da Flotilha Global Sumud. Enquanto os demais ocupantes foram levados para a Grécia e liberados, Israel optou por extraditar Saif e Thiago para julgamento em seu território.

Desde a detenção, os dois estão em greve de fome e submetidos a interrogatórios por agentes israelenses. A organização de direitos humanos Adalah, que representa os detidos, denunciou "maus-tratos" e "abusos psicológicos", incluindo sessões de oito horas de interrogatório, iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, isolamento total e deslocamentos com os olhos vendados, mesmo durante exames médicos.

Contexto da Flotilha Global Sumud

A Flotilha Global Sumud para Gaza era composta inicialmente por cerca de cinquenta barcos. Segundo os organizadores, a missão tinha como objetivo quebrar o bloqueio israelense ao território palestino e levar ajuda humanitária, que continua severamente restrita. A ação ocorre em meio à guerra que devastou Gaza nos últimos anos.

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