O número de deslocamentos internos provocados por conflitos ou violência atingiu um recorde histórico em 2025, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira, 12, pelo Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC, na sigla em inglês). Foram registradas 32,2 milhões de movimentações forçadas por esse motivo, um aumento de 60% em comparação com o ano anterior. Pela primeira vez, esse número superou o fluxo causado por desastres naturais, que somou 29,9 milhões.
Alerta sobre a proteção dos deslocados
A diretora do IDMC, Tracy Lucas, alertou ao jornal britânico The Guardian que, em muitos casos, as pessoas são deslocadas repetidamente, e os sistemas criados para protegê-las estão sendo desmantelados. Ela destacou que os deslocamentos não ocorrem uma única vez, podendo acontecer duas ou três vezes para a mesma pessoa.
Causas do recorde
O surgimento de novas guerras, como a iniciada no Irã em 28 de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e Israel, e o agravamento de conflitos já em curso levaram ao recorde. Em 2025, 46% dos deslocamentos internos ligados à violência foram ocasionados por confrontos internacionais, quase o dobro do registro anterior.
Total de deslocados e queda em relação a 2024
No total, 82,2 milhões de pessoas foram deslocadas, sendo 62,2 milhões internamente. Esse número representa uma queda em relação a 2024, quando houve um pico histórico desde o início da aferição em 2008. A desaceleração é reflexo da falta de dados — uma menor disponibilidade de informações ou mudanças nas fontes foram observadas em 15% dos países analisados — e do retorno de parte da população ao Sudão, à República Democrática do Congo e à Síria.
Sudão lidera pelo terceiro ano
Pelo terceiro ano consecutivo, o Sudão lidera a lista com o maior número de deslocados. O secretário-geral do Conselho Norueguês para Refugiados, Jan Egeland, advertiu que inúmeras famílias estão retornando a casas destruídas e serviços que desapareceram, ou não conseguem retornar de forma alguma. Ele mencionou países como República Democrática do Congo, Sudão, Irã e Líbano, onde milhões de pessoas foram deslocadas além dos recordes anteriores.



