Congo: protesto invade hospital, incendeia tendas e exige enterro de vítima de Ebola
Congo: invasão e incêndio em hospital após protesto por corpo de vítima

Na quinta-feira, 21 de maio, uma multidão invadiu um hospital na cidade de Rwampara, no nordeste da República Democrática do Congo, e ateou fogo a tendas médicas. O motivo foi a recusa das autoridades congolesas em entregar o cadáver de uma vítima de Ebola para que a família realizasse o enterro conforme seus próprios ritos. Testemunhas relataram à agência Reuters que os manifestantes incendiaram duas tendas equipadas com oito camas, administradas pela organização humanitária ALIMA, antes da chegada de reforços do exército e da polícia.

Intervenção policial e consequências

A polícia disparou tiros de advertência e gás lacrimogêneo para conter os manifestantes. As tendas foram completamente destruídas pelas chamas, incluindo um corpo que seria sepultado naquele dia. Seis pacientes que estavam em tratamento no local precisaram ser transferidos para o hospital principal.

Motivação do protesto

Os manifestantes exigiam o corpo de Eli Munongo Wangu, um conhecido jogador de futebol que atuava em diversas equipes da região. Segundo os pais do atleta, ele não morreu de Ebola, mas sim de febre tifóide. No entanto, os médicos afirmaram que o jovem estava infectado pelo vírus Ebola e insistiram que enterros seguros são essenciais para conter a doença, já que o Ebola pode se espalhar pelo contato direto com os corpos das vítimas. Apesar dos protestos, as autoridades realizaram o enterro durante a madrugada de sexta-feira, 22.

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Contexto do surto de Ebola

O incidente ocorre em meio a um novo surto de Ebola no leste do Congo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas relacionadas ao vírus, algumas delas também em Uganda. O hospital invadido fica próximo a Bunia, na província de Ituri, a região mais afetada pela epidemia.

De acordo com um político local citado pela imprensa britânica, muitos habitantes da região não acreditam na existência do Ebola e consideram a doença uma invenção de estrangeiros, criada por organizações humanitárias para obter financiamento. Essa desconfiança e desinformação têm dificultado o combate a surtos anteriores no Congo. Durante o surto de 2018-2020 na província de Kivu do Norte, que foi o segundo mais mortal já registrado, com quase 2.300 mortes, centenas de centros de saúde foram atacados por grupos armados e civis.

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