A China deu mais um passo significativo em seu ambicioso programa espacial com o lançamento da missão Shenzhou 23, ocorrido nesta semana. A nave partiu do deserto de Gobi, no noroeste chinês, transportando três astronautas a bordo. Em um tempo recorde de apenas três horas, a Shenzhou 23 acoplou-se à estação espacial chinesa Tiangong, superando a média de duração das missões americanas até a Estação Espacial Internacional.
Missão e tripulação
A tripulação é composta por três astronautas, incluindo Laing, a primeira pessoa de Hong Kong a viajar ao espaço. Segundo analistas, sua participação carrega um peso político significativo, pois Pequim busca reforçar a integração de Hong Kong ao país após anos de tensões e disputas por direitos na região. Outro tripulante é Jang Juan, ex-piloto da Força Aérea chinesa, que passou por treinamentos extremos, incluindo dias isolado em uma caverna sem luz para simular condições espaciais. Um dos astronautas deverá permanecer um ano inteiro na estação para estudar os efeitos da microgravidade no corpo humano, embora a China ainda não tenha definido qual deles ficará por mais tempo.
Navegação autônoma e disputa tecnológica
A acoplagem na estação espacial foi realizada sem piloto no controle, utilizando o sistema Beidou, o GPS desenvolvido pela própria China. O país tornou-se, em 2020, a terceira nação do mundo com um sistema global de navegação próprio, atrás apenas de Estados Unidos e Rússia. A missão também demonstra a tentativa chinesa de reduzir a dependência tecnológica dos americanos em áreas estratégicas. A Shenzhou 23 transporta nove experimentos científicos e 54 quilos de equipamentos, incluindo estudos sobre alterações nas células do fígado em microgravidade e testes com células solares de perovskita, tecnologia considerada mais leve e barata para futuras bases espaciais. Os astronautas também tentarão cultivar arroz no espaço, um experimento que simboliza a tentativa de levar um dos elementos mais tradicionais da cultura chinesa para missões de longa duração.
Nova corrida espacial
Ainda neste ano, a China planeja lançar a sonda Chang'e 7 rumo ao polo sul da Lua para estudar possíveis áreas para instalação de uma futura base lunar. O movimento coloca o país em disputa direta com os Estados Unidos, que também pretendem levar astronautas de volta à Lua com o programa Artemis. Quando os americanos pousaram na Lua pela primeira vez, em 1969, a China ainda não possuía um programa espacial estruturado. Hoje, segundo especialistas, o país compete de igual para igual na nova corrida espacial global.



